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Restrições de oferta podem limitar ritmo do Brasil

Todas essas informações fazem parte dos dois primeiros capítulos do Panorama Econômico Mundial, div
Fonte: Valor Econômico 16/04/2013 13:45 - Atualizado em 10/11/2016 16:05
economia economiaFoto: Arquivo
WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a previsão para o crescimento do Brasil em 2013 de 3,5% para 3%, elevando ligeiramente a estimativa para 2014 de 3,9% para 4%. “Restrições de oferta podem limitar o ritmo de expansão no curto prazo”, diz o FMI, em relatório divulgado nesta terça-feira. Segundo a instituição, a expansão do PIB neste ano será maior que o 0,9% do ano passado refletindo o impacto defasado dos grandes cortes de juros promovidos no ano passado e das medidas seletivas para impulsionar o investimento privado. Não há uma análise mais detalhada dos motivos que levaram à revisão da projeção de crescimento para este ano em relação ao número que era esperado em janeiro.

Ao comentar as recentes revisões para baixo das perspectivas de crescimento de médio prazo dos mercados emergentes, o FMI ressalta que isso não se deve apenas à expectativa de expansão um pouco mais moderada da China. “O assunto é mais amplo e mais óbvio em economias em que fatores de oferta, como gargalos de infraestrutura ou do mercado de trabalho, e incertezas sobre políticas e obstáculos regulatórios contribuíram para o recente adiamento de investimento – exemplos incluem Brasil, Índia e Rússia”, diz o FMI. “A desaceleração na acumulação de capital tende a reduzir o crescimento potencial no médio prazo.”

O FMI observa que o crescimento da América Latina desacelerou de 4,5% em 2011 para 3% em 2012 refletindo “a desaceleração na demanda externa e, em alguns casos, o impacto de fatores domésticos”. A perda de fôlego foi especialmente “pronunciada no Brasil, a maior economia da região, onde grandes estímulos falharam em impulsionar o investimento privado”. A desaceleração na economia brasileira afetou os parceiros comerciais do país na região, principalmente Argentina, Paraguai e Uruguai, segundo o FMI. Neste ano, porém, o crescimento na América Latina vai se acelerar, beneficiando-se da expansão mais forte do Brasil, diz a instituição, que espera um avanço de 3,5% para o PIB da região.

O documento pouco fala sobre inflação no Brasil. Ao falar da América Latina, diz que a inflação nessas economias permaneceram em geral bem ancoradas, embora “tenham ficado acima do centro da meta em alguns casos (incluindo Brasil e Uruguai)”. Num comentário mais geral sobre a situação dos mercados emergentes, o FMI diz que restrições de capacidade crescentes indicam que a inflação pode surpreender para cima. Com isso, os juros podem voltar a subir ou há o risco de a inflação aumentar. No sumário executivo do estudo, o FMI diz que alguns países da América do Sul enfrentam inflação alta e pressões crescentes no mercado de câmbio, mas não diz explicitamente quais.

Nos 12 meses até março, o IPCA acumulou alta de 6,59%, acima do teto da meta, de 6,5%. Nesse cenário, a expectativa de muitos analistas é que o Copom eleve os juros na reunião que começa nesta terça-feira e se encerra na quarta.

No relatório, aparece uma previsão para a inflação ao consumidor no Brasil de 6,1% neste ano e de 4,7% no ano que vem, mas se trata da inflação calculada pela média anual – em 2012, ela ficou em 5,4%. A inflação acumulada de janeiro a dezembro no ano passado pelo IPCA ficou em 5,84% - as projeções do FMI para 2013 e 2014 de acordo com esse critério está num trecho do relatório que ainda não foi publicado.

Todas essas informações fazem parte dos dois primeiros capítulos do Panorama Econômico Mundial, divulgados nesta terça-feira, na reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington.

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