Educação

Jovem com câncer estuda em hospital e tem bronze em olimpíada de matemática

Garoto descobriu leucemia aos 16 anos e há dois faz tratamento em Campinas no Centro Infantil Boldrini, referência na América Latina.
Fonte: G1 | Editor: Redação 27/09/2018 10:15
Oziel Costa Júnior Oziel Costa JúniorFoto: JORNAL FOLHA ONLINE - WordPress.com

Um jovem de 18 anos conquistou medalha de bronze na 13ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) após se dedicar aos estudos no hospital, onde faz tratamento para câncer, em Campinas (SP). Oziel de Oliveira Costa Júnior descobriu leucemia aos 16 quando a paixão pelos estudos já fazia parte da sua vida.

"Não é uma barreira. Jamais", diz o estudante.

O garoto morava em Goiabeira (MG) - cerca de 440 km de Belo Horizonte (MG) - quando recebeu o diagnóstico de leucemia mielóide aguda, tipo não muito comum. A família se mudou para que ele pudesse receber o tratamento no Centro Infantil Boldrini, referência na América Latina para terapias contra o câncer.

"Nos dois primeiros meses de tratamento foi mais difícil. Depois, perguntei pro médico se podia continuar lendo e estudando e ele disse que seria bom. A leitura, estudar, fazer contas, escrever textos... Ajudou muito no tratamento", conta.

Só ele e o professor

Nos dois últimos anos, as aulas para concluir o ensino médio foram em uma sala do hospital dedicada à pedagogia, para que os pacientes continuem os estudos sempre que possível. A vivência que tinha em Minas Gerais com uma turma de vários alunos passou a uma relação limitada entre Júnior e os professores. Foi difícil se acostumar, segundo ele.

"Passei a estudar com um professor praticamente sozinho".

"Embora seja muito bom, é muito diferente. Eu ia todos os dias na pedagogia pra estudar. Aprendi a estudar daquela forma e acabei adaptando àquela rotina", diz.

Oziel, a mãe e Silvia Brandalise, pediatra e presidente do Centro Infantil Boldrini, em Campinas. — Foto: Oziel Costa Júnior/Arquivo pessoal As poucas saídas do hospital e da casa alugada na cidade, para evitar prejuízos à sua saúde durante as sessões de quimioterapia, davam a Júnior mais tempo para estudar. E ele aproveitava.

"Na maioria dos dias estava bastante indisposto. Acabava forçando a barra e estudando até onde aguentava. Gosto de estudar. Isso acaba ajudando muito porque você está fazendo alguma coisa, acaba esquecendo o tratamento. Consegue ter um foco".

Dedicação começou cedo

A dedicação para competir em olimpíadas de matemática começou cedo, aos 11 anos. Já foram sete participações, com três menções honrosas. Quando veio a medalha, ele nem acreditou. A entrega foi na Unicamp, na semana passada.

"A ficha demorou a cair".

Agora que terminou o ensino médio, e o tratamento consiste em consultas esporádicas, o foco já está no vestibular. O jovem conta que vai prestar Enem e medicina na Unicamp. "Gosto muito de matemática, mas tenho vontade de fazer medicina, gosto muito de biologia", diz.

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