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PANDEMIA

Coronavírus: “se der pane como na Itália, fecho a funerária”, diz empresário

Setor funerário adotou recomendações do Ministério da Saúde para evitar aglomerações em velórios

Valciãn Calixto

Domingo - 22/03/2020 às 11:26



Foto: Reprodução/Internet Variedade de caixões na Funerária Nova Vida Eterna
Variedade de caixões na Funerária Nova Vida Eterna

Teresina registra diariamente cerca de 25 mortes, segundo informações de agências funerárias da capital. Com a pandemia de Coronavírus, quatro casos confirmados na cidade acenderam um alerta nas autoridades que, por sua vez, tomaram resoluções duras suspendendo o funcionamento de serviços no âmbito da administração pública e privada a fim de evitar atividades que possam gerar aglomeração de pessoas e assim conter o avanço da doença.

O Covid 19 já provocou o colapso de diversos serviços no mundo inteiro, entre eles, os funerários como cremações e enterros. A Itália registrou quase 800 mortes de quinta para sexta-feira (20), foram exatamente 793 óbitos. Em Bergamo, norte do país, foi necessária intervenção do Exército para retirar corpos que os serviços funerários não deram conta. O país sofre ainda com número grande de agentes funerários contaminados pelo novo vírus. No Brasil já são 18 mortos, sendo 15 somente em São Paulo.

Sem nenhum óbito no estado, o Piauihoje.com conversou com empresários que oferecem serviços funerários na capital e observou que há dúvidas sobre a capacidade de atendimento do setor e, sobretudo, uma torcida para que cenário semelhante ao da Itália não aconteça aqui, além da adoção de procedimentos que também objetivam enfrentar a disseminação do Covid 19 como distribuição de álcool gel e máscaras em velórios e a orientação para que estes ritos, neste momento, fiquem restritos apenas aos familiares mais próximos, para não causar mais aglomerações.

Dorian Coelho, diretor-presidente da Funerária Ana Pax, situada no Centro Sul, conta que as vendas de caixões estão paradas no momento e comenta o contexto italiano.

“A coisa tá séria, [lá na Itália a doença] avançou por falta de interesse do governo italiano que deixou a população aglomerada e não fez nada a tempo”.

O empresário tem convicção de que a melhor atitude para o momento é, de fato, o isolamento. “Acho que tem que ficar recolhido mesmo pra não propagar [o coronavírus] porque aqui não temos estrutura. Se der pane [como a da Itália], eu mesmo fecho a funerária.  Não tem como atender, quem vai pagar se tá tudo parado”, diz.

De acordo com o empresário, a capital possui 14 funerárias e a Ana Pax vende em média oito caixões por mês em Teresina. Coelho afirma que não teria como atender uma demanda maior, caso o novo vírus se alastre. “Se tiver um surto não tem como [atender]. Ninguém estoca caixão, se estocar o cupim come’, comenta.

Já para Luciano, responsável pelo setor de vendas da Funerária Nova Vida Eterna, as condições são totalmente diferentes. O funcionário afirma que a empresa tem total capacidade para atender uma demanda inicial da pandemia, caso haja óbitos no estado.

“Nós estamos preparados, por enquanto não tem nenhum caso em Teresina e por isso o atendimento tá normal, tá no mesmo nível, a gente sempre tem um estoque bom, não tem problemas de estoque e também não aumentou nada, estamos com o mesmo padrão de venda”, afirma.

Para o vendedor da empresa que comercializa 70 caixões por mês, a crise do Covid 19 logo vai passar. “Minha opinião é que vai passar, o efeito tá sendo pouco, não tem caso aqui”, disse.

A reportagem tentou contato ainda com as funerárias Lótus e São José para comentar o contexto, mas não obteve retorno para esta publicação.

PAX UNIÃO

Ontem (21), o Piauihoje.com publicou matéria onde mostrou um caminhão com caixões sendo descarregados em frente às funerárias Pax União e São João Batista, na Avenida Miguel Rosa. Neste domingo (22), a assessoria de comunicação da Pax União divulgou nota afirmando que a imagem usada na publicação era antiga e classificou a matéria como Fake News.

O portal entrou em contato com Felipe Duailibe, que confirmou ter sido ele quem fez o flagra do carregamento na sexta-feira (20), por volta das 17h, não se tratando, portanto, de imagem antiga e fora de contexto como a assessoria da empresa afirmou.

Na sequência a nota divulgada pela Pax União e print da conversa com o leitor Felipe.

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Foto feita pelo leitor Felipe

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