Política

Dilma: vazamento seletivo é propício ao golpe

A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje (7) o que classifica de ?vazamentos seletivos? de informa
Fonte: Agência Brasil 07/04/2016 17:15 - Atualizado em 26/08/2016 10:23
Movimentos sociais de mulheres apoiam Dilma Movimentos sociais de mulheres apoiam DilmaFoto: Marcelo Camargo
A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje (7) o que classifica de “vazamentos seletivos” de informações. Para a presidenta, esse tipo de vazamento tem "o objetivo de criar ambiente propício ao golpe".

“A Constituição que garante a privacidade e a legislação vigente proíbem vazamentos que hoje na verdade constituem vazamentos premeditados, direcionados com claro objetivo de criar ambiente propício ao golpe. Vazar porque não é necessário provar. Basta noticiar, basta acusar. Basta usar de testemunhos falsos. Nada disso é problema porque sempre se aposta na impunidade”, afirmou a presidenta, ao discursar em evento no Palácio do Planalto.

Dilma discursou para uma plateia formada por mulheres representantes de movimentos sociais e sindicais, como as Marchas das Margaridas, Mundial das Mulheres e das Mulheres Negras e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que foram ao Palácio do Planalto para apoiar seu mandato contra o pedido de impeachment em tramitação na Câmara dos Deputados.

No início de março, Dilma fez pronunciamento em que se disse inconformada e indignada com a divulgação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral pela revista IstoÉ. O jornal Folha de S.Paulo publicou hoje (7) reportagem em que diz que Otávio Marques Azevedo, ex-presidente da construtora Andrade Gutierrez, fez acordo de delação premiada. Segundo o jornal, na delação, o ex-presidente disse ter pago propina por meio de doações legais para as campanhas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.

Ao dar posse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil no dia 17 de março, Dilma criticou as interceptações de conversas telefônicas entre os dois, divulgadas na véspera, e disse que iria pedir a apuração dos fatos. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, divulgou o teor dessa e de outras conversas do ex-presidente, que teve suas ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal.

“Quero destacar que poderemos ter nos próximos dias muitos vazamentos oportunistas e seletivos. Determinei ao ministro da Justiça [Eugênio Aragão] a rigorosa apuração de responsabilidades por vazamento recente bem como tomar todas as medidas judiciais cabíveis. Passou de todos os limites a seleção muito clara de vazamentos em nosso país”, ressaltou.

Pacto nacional

Dilma Rousseff defendeu um pacto pelo entendimento nacional para superar as crises política e econômica. “O Brasil hoje precisa de um grande pacto. O Brasil já superou momentos difíceis fazendo pactos, mas nenhum pacto ou entendimento prosperará se não tiver como premissa o respeito à legalidade e à democracia”, disse a presidenta.

“Quero um entendimento nacional porque governo para todos os 204 milhões de cidadãs e cidadãos [brasileiros]. Portanto, a intolerância e o ódio não servem a um governo responsável. Desde que assumi o segundo mandato, busco, busquei e buscarei consensos capazes de nos fazer superar toda e qualquer crise”, acrescentou.

Segundo Dilma, existem algumas condições para esse pacto ser alcançado: o respeito ao resultado das urnas, o fim das pautas-bomba no Congresso Nacional, que aumentam os gastos públicos, a unidade pela aprovação de reformas, a retomada do crescimento econômico, a preservação dos direitos conquistados pelos trabalhadores e “a necessária, imprescindível e urgente reforma política”.

“Esse é o pacto que eu busco: trabalhar para superar a crise, voltar a crescer e agir para entregar ao meu sucessor um Brasil muito melhor no dia 1º de janeiro de 2019”, afirmou a presidenta para uma plateia formada por mulheres representantes de movimentos sociais e sindicais como as marchas das Margaridas, Mundial das Mulheres e das Mulheres Negras e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que foram ao Palácio do Planalto para apoiar o mandato de Dilma.

Na cerimônia, que durou mais de mais duas horas, as feministas gritaram palavras de ordem como “no meu país, eu boto fé, porque ele é governado por mulher”, “somos todas Dilma” e “não vai ter golpe e vai ter luta”.

Nas últimas duas semanas, Dilma recebeu o apoio de juristas, intelectuais, artistas e de representantes de movimentos sociais em defesa de seu mandato no Planalto.

Ontem (6), o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator do pedido de afastamento de Dilma na Comissão Especial do Impeachment, apresentou parecer favorável ao afastamento da presidenta. O parecer deve ser votado pelo plenário da comissão na próxima segunda-feira (11), a partir das 17h

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