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Uber explora passageiros vítimas da greve dos ônibus

Os passageiros recorreram aos transportes por aplicativos, mas no caso do Uber, o preço triplica
Fonte: Redação Piauí Hoje | Editor: Alinny Maria 05/02/2019 13:46
Corrida de Uber Corrida de UberFoto: Piauí Hoje

Com apenas 30% da frota do transporte coletivo circulando em Teresina devido a greve dos motoristas e cobradores, os passageiros recorreram aos aplicativos de transporte para chegarem aos seus compromissos ou até mesmo voltar para casa nesses dois dias de greve.

Em alguns casos o preço chega a triplicar, como no caso de uma corrida de Uber. E mesmo com o preço normal na corrida, pagar R$ 15 por exemplo para chegar ao seu destino em vez de pagar R$ 3,85 referente a tarifa de ônibus, pesa no bolso do trabalhador.

No aplicativo Uber os preços também estão bem mais altos porque o valor altera de acordo com a demanda. Bruno Sousa costuma pagar R$ 12 para ir ao trabalho em um Shopping situado na zona Leste de Teresina. Hoje ele teve que desembolsar R$ 22 para não chegar atrasado.

“É muito caro para a gente que ganha um salário mínimo. Não temos alternativas, patrão não quer saber de greve de ônibus e temos que cumprir horários. Eu recebo vale-transporte e cheguei cedo na parada para pegar o ônibus, mas fiquei quase duas horas esperando então tive que chamar o Uber. É um dinheiro que no final vai fazer falta”, disse o vendedor Bruno Sousa.

Com os preços em alta, muitas pessoas estão contando com caronas de familiares, amigos e até desconhecido, como é o caso de uma técnica em enfermagem do Hospital de Urgência de Teresina que preferiu não ser identificada.

“O ônibus do Redenção já demora nos dias normais, imagina com essa greve. Sai do plantão e fiquei mais de uma hora com sono na parada. Passou um cidadão que nunca vi e ofereceu carona para a Frei Serafim, como outras pessoas aceitaram, eu também fui. Minha mãe disse para eu nunca entrar em carro de desconhecido, mas se não fosse assim, só Deus sabe a hora que eu teria chegado em casa. As pessoas que têm transporte sabem da greve e é bom saber que elas podem e querem ajudar o próximo”, disse a técnica em enfermagem.

Já a professora auxiliar Barbara Resende nem arriscou ir para o ponto de ônibus, pois já sabia que enfrentaria transtornos. “Ontem eu chamei o Uber direto de casa mesmo. Pagar Uber para ir trabalhar pesa, mas graças a Deus consegui carona para ir e voltar hoje. Acho justo o motivo que levou os motoristas e os demais colaboradores a grevarem, porém a falta de acordo e a falta de previsão para o retorno é preocupante”, comenta Barbara.

Mototáxis

O mototáxi é um serviço bastante procurando nestas situações, mas o preço cobrado é duas vezes maior aos de dias normais. A equipe do Piauí Hoje perguntou a um mototaxista quanto custa uma corrida da Avenida Frei Serafim até a Universidade Federal do Piauí, na zona Leste. O trabalhador disse que faz por R$ 30.

Questionado sobre o valor estar acima do normal, o mototaxista disse “Ninguém faz menos que isso não. Tá todo mundo cobrando esses valores porque tem muita gente procurando”.

Transporte Alternativo

A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (Strans) cadastrou 78 transportes alternativos para circular em Teresina durante a greve do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviários de Teresina (Sintetro).

Os passageiros reclamam porque as vans e ônibus cadastrados não aceitam o cartão de passe e assim não conseguem realizar a integração. “De qualquer forma é a gente que paga caro! A gente que não tem nada a ver com essa briga entre prefeitura e empresários. Os motoristas e cobradores são trabalhadores como nós e só querem lutar pelos seus direitos.Estou aqui aguardando um ônibus que não seja cadastrado para eu conseguir fazer integração”, disse Maria de Lourdes, passageira que aguarda um ônibus com leitor de cartão para conseguir realizar a integração.

Greve

Sem acordo, motoristas e cobradores do transporte público de Teresina estão no segundo dia de greve nesta terça-feira (5). Enquanto não houver avanços nas negociações, a greve continua e somente 30% da frota de ônibus circula em toda capital, prejudicando milhares de usuários. A categoria pede o reajuste de 8,5% e aumento da frota de ônibus.

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