Economia

Após acordo sobre Nafta, dólar recua para R$ 4,019

Nesse domingo (30), Trump aprovou um acordo comercial que irá manter o Canadá dentro do Nafta
Fonte: Folhapress | Editor: Redação 02/10/2018 07:51
Dólar DólarFoto: Arquivo

A sinalização de que o acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México será renovado contribuiu para a queda do dólar ante o real nesta segunda-feira (1º), mas o otimismo no cenário internacional não foi suficiente para conter o estresse que atingiu a Bolsa brasileira a uma semana da eleição no país.

O dólar chegou a abrir em alta, mas terminou o dia com queda de 0,47%, cotado a R$ 4,0190.

Na noite deste domingo (30), o presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou um acordo comercial que irá manter o Canadá dentro do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).

Os países estavam sob pressão para fechar as negociações antes de meia-noite, quando os EUA precisavam compartilhar o texto com o México.

"Foi um bom dia para o Canadá", disse o primeiro-ministro do país Justin Trudeau.

Com o anúncio, o pregão foi mais positivo para importantes moedas emergentes e de menor aversão a risco no mercado acionário.

Em Wall Street, o Dow Jones, principal índice de Nova York, avançou 0,73%.

A Bolsa brasileira, no entanto, não conseguia tirar proveito do movimento externo. O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, recuou 0,91%, para 78.623 pontos.

"O exterior está positivo. O nervosismo é com o cenário eleitoral. As pesquisas que têm saído confirmam que o cenário é incerto", diz Sérgio Goldman, analista da Magliano Invest.

Segundo agentes financeiros, investidores analisavam pesquisas divulgadas nos últimos dias e planejavam posições de olho no segundo turno. Os preços dos ativos já estariam ajustados para um cenário em que Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) avançam na disputa, mas a próxima etapa da eleição ainda suscita cautela.

"O mercado está indo mais 'leve' para a última semana antes da eleição", afirmou o estrategista Karel Luketic, da XP Investimentos. "É difícil ter um posicionamento muito direcional, com as pesquisas sinalizando probabilidade ao redor de 50/50% tanto para um candidato como para o outro."

Para Luketic, olhando apenas para a semana, não havendo mudanças muito relevantes no desempenho dos candidatos, o Ibovespa deve se manter ao redor dos 80 mil pontos. "Mas o segundo turno será outra eleição", afirmou.

Na última sexta-feira (28), o Datafolha mostrou Jair Bolsonaro (PSL) estável na liderança com 28%, mas perdendo fôlego nas simulações de segundo turno e sendo derrotado em todas elas. Enquanto isso, Fernando Haddad (PT) subiu seis pontos e consolidou-se em segundo lugar no primeiro turno da corrida eleitoral, com 22%.

O cenário foi confirmado pela pesquisa CNT/MDA divulgada no domingo (30). Nela, Bolsonaro aparece com 28,2% da preferência do eleitorado, seguido por Haddad, com 25,2%.

E as pesquisas devem continuar no radar do mercado. O levantamento do banco BTG Pactual/FSB Pesquisa abriu nesta segunda a bateria de sondagens prevista para os próximos dias mostrando que Bolsonaro manteve a liderança no primeiro turno, mas com menor diferença em relação a Haddad.

O capitão reformado do Exército passou de 31% das intenções de voto no levantamento da semana passada para 28% neste. Haddad foi de 17% para 18% das intenções de voto.

Agora, o mercado aguarda a divulgação de pesquisa Ibope, na noite desta segunda. Na terça-feira (2), haverá Datafolha. Ibope e Datafolha vão se revezar nesta semana com novos levantamentos de intenção de votos.

"Por mais que tenhamos teoricamente uma definição do primeiro turno, o segundo ainda está em aberto... Tem pesquisa eleitoral todo dia e esse vetor acaba sendo mais importante que qualquer outro", disse o analista Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos.

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