OLHE DIREITO!

Por Álvaro Mota

Vacina contra o autoritarismo

Vacina contra o autoritarismo Vacina contra o autoritarismoFoto: Reprodução

As democracias estão sob risco no mundo, dizem muitos textos de cientistas sociais e filósofos. Trata-se de uma constatação de que essa é um ameaça real mediante uma série de razões, mas sendo as duas mais profundas a má resposta que as democracias representativas têm dado no enfrentamento ao empobrecimento das pessoas e a falta de educação de qualidade na maioria dos países emergentes.

A concentração da riqueza parece estar diretamente ligada à falta de um ensino de boa qualidade ou à degradação da educação. Sem uma instrução capaz de dar às pessoas ferramentas para integração social e econômica, além de mobilidade social, não há razões para acreditar que se possa fortalecer os regimes democráticos pelo mundo.

O aumento da pobreza e da ignorância, que se retroalimentam, é um perigoso componente a alimentar os discursos políticos de ideologias extremistas – sejam de cunho populista, nacionalista, socialistas ou teocráticos. Sempre com soluções muito simples para os problemas complexos, criando inimigos externos e insuflando as massas para uma luta que ao fim e ao cabo se mostrará algo quixotesco.

Nessa seara, os movimentos democráticos à direita ou à esquerda perdem terreno porque o que propõem não é absolutamente fácil. Requer esforços redobrados mostrar às pessoas que o caminho para uma governança eficaz e democrática está na produção, assimilação e difusão de conhecimento.

Ocorre é que cuidar para que haja boa educação exige bem mais que palavras e boas intenções. É fundamental que essa política pública esteja em mãos de especialistas e não de políticos, que foquem em crescente melhoria da relação ensino-aprendizagem e estejam submetidas a constantes avaliações para corrigir erros e buscar a excelência. E o mais importante: que o espaço da escola seja a reprodução da ideia de iluminista de igualdade de oportunidades.

A igualdade de oportunidades construída no universo escolar é certamente a base mais sólida, praticamente indestrutível das democracias, sobretudo, porque quando a educação é usada para mostrar que, existem sim pessoas diferentes, mas que temos de dar a todos oportunidades iguais, faz-se com isso um colchão de proteção à poderosa ideia da livre circulação de ideias.

O Brasil, como muitos outros países, precisa estar em um caminho como esse, de consolidação do espaço educacional como um dos pilares do edifício democrático. Se, ao contrário, descuidarmos da instrução, certamente estaremos deixando a porta aberta para aventuras autoritárias.

A educação é uma vacina já testada e aprovada contra o autoritarismo.

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito pela UFPE. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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