Artigo advogado Álvaro Mota: Páscoa e sacrifício

Paixão de Cristo Paixão de CristoFoto: Renato Bezerra

Duas visões de minha infância que trago em mim e a maturidade tratou de me fazer ver de modo diferente: a Paixão de Cristo e a Páscoa. Apenas três dias separam a dor, sofrimento e morte da glória da ressurreição, a reconquista da vida, o triunfo sobre o pecado, segundo as Escrituras.

A páscoa é originalmente uma festa judaica, sobre cuja sabedoria o cristianismo avançou com lições como o amor ao próximo, a misericórdia, o respeito à mulher – bastante presente quando Cristo salva Maria Madalena do apedrejamento e desafio que deve atirar a primeira pedra aquele que estiver livre do pecado. Essa é uma mensagem poderosa: o ato de julgar exige minimamente que estejamos isentos dos mesmos vícios daquele que é julgado.

Representa a páscoa (Pessach) a libertação do povo judeu do jugo da escravidão no Egito, ou seja, é muito mais que uma celebração, mas um ato de memória para que jamais os filhos de Israel se esquecessem que foram escravos. No cristianismo, a ideia de escravidão é muito mais sofisticada, porque a coloca no campo da subjetividade: deve o homem deixar de ser escravo do pecado.

Libertar-se do pecado exige sacrifício e neste sentido devem todos estar à cata da virtude, dispostos a praticar o bem. Essa é a lição mais importante da paixão de Cristo: o sacrifício em favor dos demais, daqueles que provavelmente nem conhecemos, algo como a solidariedade como rotina de vida.

O sofrimento gigantesco a que o Cristo se submete faz dele, como posto nas escrituras, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Sua ressurreição, três dias após a morte, é um êxito Dele sobre o pecado. É como se Jesus, ao morrer em holocausto na cruz, livrasse o mundo do pecado, fazendo de seus filhos puros como Adão e Eva no Paraíso, antes da tentação da serpente.

Cristo feito Deus vivo e humano, que se submete à dor e à tortura por amor aos seus filhos, no entanto, age como o Pai, desejoso de que seus filhos sigam seu exemplo. Eis outra mensagem poderosa: Cristo nos aponta que seu sacrifício não pode ser vão, perdendo-se num mar de pecados e erros em que se lançam os filhos após o sacrifício dele.

O sacrifício ensinado, portanto, deve ser uma rotina a nos impor comportamento ético e moral, de respeito a todos, de tolerância e do amor desinteressado, que podemos, como já posto, identificar como a solidariedade. Se não somos capazes de seguir passos como esse, certamente não podemos celebrar tampouco merecer o sacrifício do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

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