Rota de colisão

Rodrigo Maia diz que governo Bolsonaro é "uma usina de crise"

Paulo Guedes acusou a Câmara de abortar a reforma da Previdência


Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia e Paulo Guedes

Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia e Paulo Guedes Foto: Carolina Antunes/PR

O tempo fechou entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, depois da declaração do braço direito do presidente Jair Bolsonaro de que o relatório apresentado na quinta-feira (13) pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), com várias mudanças em relação ao texto original, “abortou” a reforma da Previdência.

Em entrevista à GloboNews, Maia disse que não se sente traído por Guedes porque não tem compromisso com o governo. Segundo ele, a Câmara tem atuado como “bombeiro” para jogar água nas crises criadas pelo próprio Executivo.

"O governo virou uma usina de crise permanentes que não atingirá a Câmara dos Deputados...  A aprovação da reforma no primeiro semestre está mantida. Estamos blindados de crises, não chega ao Parlamento", disse.  "Pela primeira vez o bombeiro é a Câmara. A Casa sempre gerava mais atrito. O ministro da Economia era sempre aquele que gerava mais tranquilidade. Desta vez, não. Tenho compromisso com os eleitores e com o país. A reforma é passo fundamental para reduzir a pobreza e a miséria”, acrescentou. 


Minutos antes, em entrevista coletiva, também em São Paulo, Maia provocou o ministro, a quem chamou de amigo, ao questionar por que ele havia proposto uma regra de transição mais suave na reforma da Previdência dos militares e ressaltou que a reforma não é do ministro, tampouco do presidente da República."Essa não é a reforma de Bolsonaro, é a reforma do Brasil", afirmou.

Mais cedo, no Rio, Paulo Guedes disse que a Câmara cedeu ao lobby dos servidores públicos no relatório da comissão especial. "Eu acho que houve um recuo que pode abortar a nova Previdência. O recuo é que pelo menos pressões corporativas e de servidores do Legislativo forçaram o relator a abrir de R$ 30 bi para os servidores do Legislativo que já são favorecidos no sistema normal, então recuaram na regra de transição. E como isso ia ficar feio, recuar só nos servidores, estenderam também para o regime geral", declarou.

Vice-presidente da comissão especial, o deputado Silvio Costa Filho (PRB-PE), disse ao Congresso em foco que o comentário do ministro pode prejudicar o clima favorável existente hoje na Câmara em relação à reforma. O deputado cobrou equilíbrio e serenidade da parte de Guedes. “Ele é o ministro da Economia, ou Fazenda, que mais vezes foi ao Parlamento em apenas cinco meses. Mas essa foi uma declaração inoportuna. Neste momento, qualquer declaração assim tensiona o ambiente”, avaliou.

Segundo Silvio, a hora é de menos retórica e mais ação. “Não senti pressão de servidores. Eles tiveram seu papel como a sociedade civil teve. Em nenhum momento o relatório de Samuel foi construído na base da pressão. Foi feito na base do diálogo com a Casa. O governo, para ser ajudado, precisa querer ser ajudado. Algumas declarações não ajudam em nada o país”, considerou.

A comissão especial deve começar a debater o relatório de Samuel Moreira na próxima terça-feira caso seja atingido o quórum mínimo de 51 deputados na sessão de segunda. Hoje, pela primeira vez desde novembro de 2017, essa marca foi superada, abrindo caminho para o início das discussões ainda na próxima semana. De acordo com Silvio, o colegiado deverá se reunir na terça e na quarta-feira, tornando viável que a votação ocorra na semana seguinte, como quer Rodrigo Maia.

Fonte: Congresso em Foco

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