TRÁFICO

Medida Provisória vai agilizar a venda de bens apreendidos de traficantes

Entre esses bens estão 37.518 veículos, 916 imóveis, 314 aeronaves e 246 embarcações


Jair Bolsonaro assina a Medida Provisória

Jair Bolsonaro assina a Medida Provisória Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro  assinou nesta segunda-feira (17) uma medida provisória (MP) que vai agilizar a venda e a utilização de bens apreendidos de traficantes de drogas. São 77.251 bens que poderão ser vendidos ou utilizados, entre eles 37.518 veículos, 916 imóveis, 314 aeronaves, 246 embarcações, 1.608 joias e 36.649 bens diversos.

A medida provisória terá força de lei assim que publicado no "Diário Oficial da União", mas para se tornar uma lei em definitivo,  a MP precisará ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.

O que diz a medida provisória

De acordo com o Ministério da Justiça, as novas regras previstas na MP darão "maior eficiência e racionalidade" na gestão dos bens apreendidos de traficantes. Segundo a pasta, a MP permitirá converter mais rapidamente os bens apreendidos em recursos financeiros e, além disso, aplicá-los em investimentos sociais. Os valores poderão ser utilizados, ainda de acordo com o ministério, antes mesmo do fim do processo judicial.

O ministério diz que a MP também permitirá aos estados receber os recursos de forma mais "célere", "bastando a assinatura de termo de adesão com a demonstração do atendimento das condicionantes", reduzindo os cursos com manutenção de depósitos.

Ainda conforme o governo, a proposta prevê que recursos oriundos de alienação de bens serão diretamente depositados em conta do Tesouro. Isso, segundo o Ministério da Justiça, antecipa em pelo menos cinco anos o período de entrada do dinheiro nos cofres públicos.

Alienação de bens

Atualmente, a lei já prevê a alienação antecipada dos bens. De acordo com a Política Nacional sobre Drogas, se for verificado o risco de perda de valor econômico em razão do tempo, será feita a avaliação do bem, que poderá ser colocado em leilão.

Uma resolução do Conselho Nacional de Justiça recomenda a alienação dos bens mesmo antes do trânsito em julgado para preservar o valor atual.

Mas, segundo integrantes do Ministério da Justiça, as questões relacionadas à alienação dos bens "passam batidas" pelos juízes e pelo Ministério Público. No decorrer da ação penal, avaliam esses integrantes, os pedidos e a concessão da alienação de bens costumam ficar em segundo plano.

Esses bens são frutos de diversas ações policiais. Na maior parte, são operações realizadas pelas polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal que resultam em apreensões ligadas a drogas em rodovias, em que os veículos, celulares e outros itens são apreendidos.

Após as apreensões, a Justiça pode dar dois destinos para os bens: a utilização deles pelos órgãos de segurança, na repressão e prevenção ao uso de drogas, ou a alienação.

Estoque de bens apreendidos

De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, há quase 80 mil bens apreendidos em operações relacionadas ao tráfico de drogas em todo o país.

Ainda conforme o órgão, aproximadamente 30 mil bens já têm sentença em trânsito em julgado – quando não cabe mais recurso – e estão prontos para leilão.

Bens apreendidos prontos para leilão (29.429)

9.970 veículos;
459 imóveis;
25 aeronaves;
18.975 bens diversos.


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