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Filho de Bolsonaro ataca a campeã Mangueira e leva o troco

Esqueceu do apoio de vocês ao Cabral, Pezão e Paes? O que tá virado é sua memória”, devolveu deputado


Última ala da Mangueira faz homenagem à Marielle Franco

Última ala da Mangueira faz homenagem à Marielle Franco Foto: Rodrigo Gorosito/G1

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) respondeu ao ataque feito por Carlos Bolsonaro (PSL) à escola de samba Estação Primeira de Mangueira, campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. O filho do presidente mencionou que a agremiação teria envolvimento com tráfico, bicheiros e milícias.

"Rapaz, o presidente da mangueira foi afastado da escola. Ele é investigado por participar dos esquemas do MDB. Eu sempre denunciei, diferente da sua família que sempre apoiou. Esqueceu do apoio de vocês ao Cabral, Pezão e Paes? O que tá virado é sua memória”, postou Freixo, em resposta à postagem do filho do presidente.

Antes, aparentemente inconformado com a vitória da Mangueira, Carlos havia declarado: “Dizem que a Mangueira, escola de samba campeã do carnaval e que homenageou Marielle, tem o presidente preso, envolvimento com tráfico, bicheiros e milícias. Esse país está de cabeça pra baixo mesmo”.

A bandeira rosa foi uma resposta a Bolsonaro
A bandeira verde e rosa foi uma resposta da Mangueira a Bolsonaro 
                        [Foto: RIOTUR]

Sacramentada

Enquanto nas ruas os protestos contra Bolsonaro dominaram os blocos, na Sapucaí a Estação Primeira de Mangueira lavou a alma dos brasileiros ao desconstruir os heróis e as ideias defendidas pelo presidente e contar a verdadeira história do país.

A vitória da escola de samba sacramentou a derrota do presidente Jair Bolsonaro neste Carnaval. Enquanto nas ruas os protestos contra o presidente dominaram os blocos, transformando a festividade em um verdadeiro ato nacional de resistência ao governo autoritário, a Mangueira, na Sapucaí, lavou a alma dos brasileiros ao desconstruir os heróis e as ideias defendidas pelo presidente e contar a verdadeira história do país.

A agremiação, com o enredo “História pra ninar gente grande”, fez um desfile histórico em que homenageou heróis esquecidos como lideranças negras, indígenas e mulheres – segmentos que Bolsonaro historicamente procura marginalizar.

Entre os “heróis esquecidos” homenageados pela escola, estão, por exemplo, o lendário Sepé Tiaraju, guerreiro indígena que lutou contra a dominação portuguesa e espanhola no Brasil, e mulheres negras do Quilombo dos Palmares, como Acotirene e Dandara.

A homenagem a Marielle Franco, citada no enredo, foi um dos destaques do desfile. O rosto da vereadora e ativista dos direitos humanos foi estampado em bandeiras e faixas na última ala, que contou com a presença, na avenida, do deputado federal Marcelo Freixo e do vereador Tarcísio Motta, ambos do PSOL, partido de Marielle, além da viúva da vereadora, a arquiteta Mônica Benício.

Outro destaque do desfile da verde e rosa foi o carro que representou os assassinatos e perseguições da ditadura militar, em uma verdadeira provocação ao capitão da reserva que, além de um entusiasta do período, tem entre seus ídolos militares torturadores.

Representando a memória dos mortos e desaparecidos da ditadura, estava a jornalista Hildegard Angel,  filha de Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel, ambos assassinados pelo aparelho repressor dos anos de chumbo. Ela estava em cima de um livro gigante e a frente de um em que se lia “ditadura assassina”.

Em tempos de “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, a Mangueira ainda ousou ao apresentar uma bandeira do Brasil com as cores da escola onde, no lugar de “Ordem e Progresso”, se lia “Índios, Negros e Pobres”.

“Na luta é que a gente se encontra”, dizia o enredo da escola de samba. De fato, o Brasil se encontrou na luta deste carnaval.

Fonte: Revista Forum

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