Bolsonaro manda documento para ONU dizendo que não houve golpe em 1964

O texto ainda defende o plano do governo de revisitar a história do golpe de 1964


Bolsonaro

Bolsonaro Foto: Sergio Moraes/Reuters

O governo do presidente Jair Bolsonaro enviou um documento às Nações Unidas (ONU) negando que tenha havido um "golpe de Estado" na tomada do poder pelos militares, em 31 de março de 1964.

O presidente e outros expoentes do governo vêm tentando oficializar uma postura revisionista que também rechaça a ideia de que o Brasil tenha vivido uma ditadura entre 1964 e 1985. No telegrama, revelado pela BBC News Brasil, o Itamaraty diz que o regime militar foi necessário "para afastar a crescente ameaça de uma tomada comunista no Brasil".

Além disso, afirma que o Exército agiu para preservar as "instituições nacionais, no contexto da Guerra Fria". "Os anos 1960-70 foram um período de intensa mobilização de organizações terroristas de esquerda no Brasil e em toda a América Latina", salienta o documento, endereçado ao argentino Fabián Salvioli, relator especial da ONU para promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não-repetição.

Na semana passada, Salvioli havia dito que seria "imoral e inadmissível" celebrar o aniversário de 55 anos do golpe militar. No telegrama, o Itamaraty chama as críticas do argentino de "sem fundamento" e diz que as Nações Unidas devem "respeitar os processos nacionais e procedimentos internos".

O texto ainda defende o plano do governo de revisitar a história do golpe de 1964. "Neste contexto, o presidente Bolsonaro está convencido da importância de colocar em perspectiva a data de 31 de março de 1964", afirma o documento, segundo a BBC. Antes do 55º aniversário do golpe, Bolsonaro chegou a dizer que o regime militar teve apenas "alguns probleminhas".

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, por sua vez, quer mudar os livros didáticos distribuídos nas escolas para reescrever a história da ditadura, alegando que o golpe foi fruto de uma "decisão soberana da sociedade brasileira".

Fonte: ANSA

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