Polícia

Segurança pública

Sistema de segurança do Brasil ainda reflete práticas da ditadura militar

Especialistas apontam que operações policiais no Brasil mantêm práticas de execuções sumárias e repressão violenta.

Teresinha

12 de maio de 2026 às 11:24 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • O sistema de segurança pública no Brasil ainda mostra práticas herdadas da ditadura militar.
  • Casos como o Massacre do Carandiru e do Jacarezinho mostram a alta letalidade policial.
  • Operações policiais muitas vezes ocorrem em periferias, afetando jovens negros.
  • Há indícios de execuções planejadas como retaliação pela morte de agentes.
  • Especialistas afirmam que o padrão de atuação é semelhante em diversos estados.
  • A Polícia Militar, instituída na ditadura, manteve foco no policiamento ostensivo.
  • Reformas significativas não foram implementadas, segundo críticos.
  • Faltam controle democrático e transparência nas forças policiais, diz advogado.
  • Discute-se a necessidade de um novo modelo de segurança pública.
  • Secretaria de Segurança Pública de São Paulo alega investigar rigorosamente intervenções policiais.

Sistema de segurança do Brasil ainda reflete práticas da ditadura militar

O sistema de segurança pública no Brasil ainda é marcado por práticas herdadas da ditadura militar, segundo especialistas. Operações como o Massacre do Carandiru, Crimes de Maio, Massacre do Jacarezinho, entre outros, resultaram em elevada letalidade policial.

Débora Maria da Silva, fundadora do Mães de Maio, que perdeu o filho em 2006, critica o modus operandi da polícia, afirmando que a retaliação policial contribuiu para os mais de 500 mortos na época.

Tais operações costumam ocorrer em periferias e vitimar principalmente jovens negros. Há indícios de execuções planejadas, em geral como vingança pela morte de agentes do Estado.

O tenente-coronel aposentado Adilson Paes de Souza, pesquisador sobre letalidade policial, destaca que o padrão de atuação é semelhante em diversos estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. “O sistema de eliminação e encarceramento em massa remonta à ditadura”, afirma.

A Polícia Militar, instituída na ditadura, permanece focada no policiamento ostensivo. Mesmo após a Constituição de 1988, não houve reformulação significativa.

“O sistema continua o mesmo, com execuções sumárias que não trazem segurança, só medo”, reforça Souza.

Brasília (DF), 11/05/2026 - Crimes de Maio. Tenente-coronel aposentado Adilson Paes de Souza, pesquisador sobre letalidade e violência policial. Frame: TV Brasil
Tenente-coronel aposentado Adilson Paes de Souza diz que, no Brasil, sistema propicia vingança e impunidade - Frame: TV Brasil

Adilson Paes de Souza também critica a ausência de reformas nas práticas policiais. “A ditadura terminou no papel, mas suas práticas persistem”, declara.

Segundo o advogado Gabriel de Carvalho Sampaio, o problema decorre da falta de controle democrático sobre as forças policiais. Ele defende maior transparência e responsabilização dos envolvidos em abusos.

“Cada morte precisa ser investigada”, sublinha Sampaio.

Discussões sobre um novo modelo de segurança pública são essenciais, diz Mauro Caseri, ouvidor das Polícias de São Paulo, que questiona a manutenção de modelos hierárquicos obsoletos.

Por fim, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirma que todas as mortes decorrentes de intervenções policiais são rigorosamente investigadas, rechaçando excessos e destacando o investimento em novos equipamentos.

A TV Brasil abordou o tema no programa Caminhos da Reportagem. Clique aqui para assistir à íntegra do episódio.

Fonte: Agência Brasil



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