CAPACITAÇÃO

Defensoria discute Curso Defensoras Populares com lideranças do Itararé

O objetivo é capacitar as mulheres interessadas por meio da educação em direitos


Participantes da reunião realizada na AMI

Participantes da reunião realizada na AMI Foto: Lázaro Lemos

Aconteceu neste sábado (10), na sede da Associação de Moradores do Itararé (AMI), reunião para definir a estratégia de implantação do Curso Defensoras Populares, desenvolvido pela Defensoria Pública, tendo por objetivo capacitar lideranças comunitárias femininas e demais mulheres interessadas, em direitos humanos,  serviços e equipamentos públicos destinados ao atendimento das mulheres, sistema básico de Justiça, noções de direitos de grupos sociais vulneráveis e empreendedorismo.

A reunião, com várias lideranças comunitárias da região, contou com a presença da idealizadora da implantação do Projeto no Piauí, subdefensora pública geral, Carla Yáscar Bento Feitosa Belchior; da titular da 2ª Defensoria Pública da Mulher, Verônica Acioly de Vasconcelos; da titular da 7ª Defensoria Pública Criminal, Elisa Cruz Ramos; do ouvidor-geral externo da Defensoria, Nayro Victor Lemos Resende Leite; da servidora Bianca Pereira de Sousa, da Coordenação de Projetos da Defensoria e da assessora da 7ª Defensoria Criminal, Rafaela Rodrigues Santos.

O Projeto Defensoras Populares foi apresentado pela subedefensora pública geral, que destacou o interesse da Defensoria em estar próxima das comunidades. “Trata-se de um Projeto de formação de mulheres, principalmente lideranças  femininas que irão conhecer como funciona a Defensoria Pública, podendo diferenciar as demandas que são da Defensorias daquelas de outras Instituições. Pretendemos explicar todo o processo de luta das mulheres para que chegassem ao que temos hoje . Nos dispomos a construir junto com vocês esse Projeto, por isso estamos aqui, para saber o que realmente precisam dentro da comunidade. O Direito é feito desse intercâmbio, de Justiça mas também de fatos. Vamos ver que algumas leis já não têm aplicação, mas outras continuam necessárias, como a Maria da Penha, que é voltada para os direitos das mulheres”, destacou Carla Yáscar Belchior.

Verônica Acioly também se manifestou e expôs a proposta de metodologia. “Importante dizer que essa ideia não é nossa, pois já foi implantada no Rio de Janeiro e São Paulo e capacitou centenas de mulheres.  Também é preciso destacar que com conhecimento é mais difícil ser enganada e evitar situações de perigo e que é muito bom quando os homens comparecem, pois discutir a causa da mulher é um dever de todos. Vamos falar da Lei Maria da Penha, aprender a identificar o que é violência, o que é Direito de Família, ter noções básicas de Direito Penal, tratar de relações familiares, necessidades especiais, idoso, Direitos Humanos. Vocês foram escolhidos para iniciarmos esse curso pela representatividade do trabalho que realizam e essa é a ideia inicial, mas estamos aqui abertas a sugestões. É o nosso desejo de nos aproximarmos de vocês, que são a nossa razão de existir”, afirmou a defensora.

Durante cerca de duas horas as lideranças presentes expuseram suas necessidades e discutiram com a equipe da Defensoria o melhor formato para a realização do curso. A iniciativa foi bem aceita pela comunidade. “Eu achei essa proposta muito importante é muito bom a gente descobrir mais as coisas. Vou participar do curso”, disse a zeladora Maria Celeste Batista Rodrigues, moradora do Dirceu. “Esse Projeto é muito bom. É louvável. Em toda a Teresina existe muita violência contra a mulher, que muitas vezes não sabe como recorrer, porque não quer se expor, então temos que trazer esse Projeto não só para o Dirceu, mas para toda a cidade”, disse Adalgisa de Sousa Costa Silva, uma das lideranças locais.

Os homens presentes também abraçaram a ideia do Defensoras Populares. “Essa proposta da Defensoria vem somar diante dos problemas que muitas mulheres enfrentam. Elas precisam conhecer os seus direitos e a força que têm”, disse Raimundo Mendes, que integra a Diretoria da AMI. Para a presidente da Associação de Moradores do Itararé, Conceição Mendes, a iniciativa será de grande valia para a comunidade. “A reunião foi muito produtiva. Estamos sendo agraciados por estar protagonizando esse curso aqui Piauí, na AMI, que é a mãe de todas as associações posteriores a ela. Vamos receber o curso com muita responsabilidade, porque o Projeto é grandioso e de muita serventia para nossa região, que é carente demais de direitos e informações. À Defensoria, que se propôs a fazer esse curso com a gente, só temos a agradecer”, enfatizou.

Nayro Victor Lemos reforçou a importância da Instituição caminhar lado a lado com a comunidade. “Esse encontro foi muito bom e é preciso destacar que, dentro do Sistema de Justiça, a Defensoria é uma Instituição revolucionária, porque chega até as comunidades e abre suas portas para elas. Só temos que parabenizar a gestão da Defensoria por essa iniciativa”, disse o ouvidor.

Verônica Acioly disse estar extremamente satisfeita com o resultado do encontro. “Foi espetacular. É inédito em minha carreira esse momento de aproximação da Defensoria com a sua razão de ser, que é a comunidade. Não só impondo uma ideia, mas trocando experiência e construindo com essa comunidade o Projeto das Defensoras Populares”, enfatizou a defensora.

A subdefensora pública geral acredita que o contato foi fundamental para o bom desempenho do Projeto. “Foi uma momento imensamente gratificante essa troca de experiência com a comunidade. Tivemos a oportunidade de entender os seus anseios e acredito que isso será fundamental para que possamos desenvolver com propriedade o Projeto de Defensoras Populares, garantindo o empoderamento dessas mulheres, para que possam ser agentes de transformação, contribuindo para que cada vez mais os direitos humanos sejam respeitados, podendo exercer com dignidade o seu papel de mulher livre, forte, empreendedora e , principalmente, ciente dos seus direitos”, afirmou Carla Yáscar Belchior. 

Ao final, foi acertado que a aula inaugural será realizada na sede da AMI, no dia 14 de setembro do corrente ano. Os encontros serão semanais, aos sábados, de 15 às 17h, na AMI. O calendário completo será em breve divulgado e as inscrições começarão nos próximos dias.

Fonte: CCOM

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