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Bruno pede que Macarrão confesse crime

Bruno

Teresinha

09 de julho de 2012 às 20:07


O goleiro Bruno algemado deixa o Fórum de Esmeraldas, na Grande BH; atrás, o amigo Macarrão
O goleiro Bruno algemado deixa o Fórum de Esmeraldas, na Grande BH; atrás, o amigo Macarrão
Os advogados do goleiro Bruno Fernandes disseram nesta segunda-feira (9) que o goleiro confirmou a autencidade da carta divulgada pela revista "Veja" e explicaram o contexto em que ela foi escrita. Os defensores Rui Pimenta e Francisco Simim visitaram o jogador nesta manhã na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo eles, a carta representa o rompimento da amizade de Bruno com Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, se realmente ele tivesse envolvido com o desaparecimento de Eliza. No texto, é pedido também que Macarrão reconheça que é responsável pelo crime, afirmaram os advogados.

A edição deste fim de semana da revista “Veja” divulgou o teor da carta escrita pelo goleiro Bruno no presídio para Macarrão. Os dois estão presos suspeitos de participação na morte de Eliza Samudio, ex-namorada do jogador. No texto, o jogador pede a Macarrão para usar o “plano B”, que, segundo a reportagem, seria assumir a culpa sozinho pela morte e isentar o goleiro de culpa.

"O que o Bruno quis ressaltar é que assumir o \'plano B\' era uma obrigação do Macarrão, porque o Macarrão havia traído Bruno quando sumiu com a Eliza", justificou Pimenta. Segundo o advogado, Eliza foi morta sem o consentimento do jogador. Pimenta alega que a carta foi redigida em novembro do ano passado e veio a público com o final apagado, dando margem a distorções. Ele afirmou ao G1 que, no trecho final Bruno disse ter escrito: "Macarrão, você tem realmente que assumir este crime porque eu não posso pagar por sua traição. Eu não mandei você sumir com a Eliza", relatou.

Segundo a reportagem da revista, o goleiro chega a pedir perdão ao amigo. "Maka, eu não sei como dizer isso, mas conversei muito com os nossos advogados e eles chegaram a uma conclusão devido aos últimos acontecimentos e descobertas sobre o processo e investigações. Nós conversamos muito e eles acham que a melhor forma para resolvermos isso é usando o plano B", diz o texto. "Eu, sinceramente, não pediria isso pra você, mas hoje não temos que pensar em nós somente! Temos uma grande responsabilidade que são nossas crianças, então, meu irmão, peço que pense nisso e do fundo do meu coração me perdoe, eu sempre fui e sempre serei homem com você”, diz a carta publicada pela "Veja".

Procurado pelo G1, o advogado de Luiz Henrique Ferreira Romão, Leonardo Diniz, disse que não vai se pronunciar sobre a reportagem publicada pela revista.

A delegada Alessandra Wilke disse ao G1, no sábado (7), que a carta não consta do inquérito. A revista informa que obteve a carta "interceptada por um agente penitenciário". Para a delegada, o texto trata da mudança da estratégia da defesa do goleiro, que passou a assumir a morte de Eliza, mas nega envolvimento com o crime. Alessandra diz ver na defesa do goleiro uma intenção de que os outros réus assumam a culpa. "Todos estão unidos para livrar o Bruno", disse.

O goleiro Bruno está detido na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Minas Gerais. Em maio, ele obteve liberdade condicional referente ao processo de cárcere privado e lesão corporal de Eliza, pelo qual o atleta foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a quatro anos e seis meses de prisão. Mas, para deixar a prisão, o jogador ainda depende do julgamento de um pedido de habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado ao desaparecimento e morte da ex.

Em junho passado, o caso Eliza Samudio completou dois anos sem previsão de julgamento. Na fase atual, recursos e pedidos relacionados ao processo atrasam a tramitação. Acusado de homicídio, o goleiro foi detido em julho de 2010, quando vivia um dos melhores momentos da carreira jogando pelo Flamengo. Macarrão e Bola também aguardam o processo atrás das grades. O quarto acusado diretamente por homicídio é Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, que responde em liberdade.

Caso Eliza Samudio

O goleiro Bruno Fernandes e mais sete réus vão a júri popular no processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-namorada do jogador. Para a polícia, Eliza foi morta em junho de 2010 na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e o corpo nunca foi encontrado. Em fevereiro de 2010, a jovem deu à luz um menino e alegava que o atleta era o pai da criança. Atualmente, o menino mora com a mãe de Eliza, em Mato Grosso do Sul.

O goleiro, o amigo Luiz Henrique Romão – conhecido como Macarrão –, e o primo Sérgio Rosa Sales vão a júri popular por sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Sérgio responde ao processo em liberdade. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, também está preso e vai responder no júri popular por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Dayanne, ex-mulher do goleiro; Wemerson Marques, amigo do jogador, e Elenílson Vítor Silva, caseiro do sítio em Esmeraldas, respondem pelo sequestro e cárcere privado do filho de Bruno. Já Fernanda Gomes de Castro, outra ex-namorada do jogador, responde por sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho dela. Eles foram soltos em dezembro de 2010 e respondem ao processo em liberdade. Flávio Caetano Araújo, que chegou a ser indiciado, foi inocentado.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), não há previsão de data para o julgamento do caso Eliza Samudio.

Fonte: G1



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