MORTE DE CÃES

Parvovirose mata cães em Teresina; autoridades não controlam a doença

A doença é letal em 80% dos casos, é extremamente contagiosa e o único meio de prevenção é a vacina


Cachorro com parvovirose

Cachorro com parvovirose Foto: Imagem ilustrativa

Dezenas de cães com menos de um ano de idade já morreram em Teresina de dezembro até agora, vítimas de Parvovirose Canina. Uma espécie de surto estaria acontecendo na cidade, mas as autoridades veterinárias e sanitárias não tem dados sobre a doença, porque não há notificação dos casos e das mortes. A Parvovirose é uma enfermidade muito contagiosa e agressiva. Cerca de 80% dos cães acometidos pela doença morrem com sangramentos terríveis entre três e quatro dias. 

Os muitos casos de Parvovirose em Teresina têm preocupado donos de cães. Alguns relataram à reportagem do Piauihoje.com que seus cãezinhos contraíram o Parvo vírus no início do período chuvoso. A maioria morreu.

O médico veterinário Tiago Paixão,  que atualmente trabalha em um laboratório multinacional, informa que o número de casos de Parvovirose aumenta ano a ano. Ela é uma doença bastante comum, mas a gerente do Centro de Zoonoses da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Oriana Bezerra, nega existência de um surto da doença na cidade.

Porém, nem a chefe do Centro de Zoonoses e nem qualquer outra autoridade da área de saúde animal tem dados reais sobre a Parvovirose em Teresina, porque simplesmente a doença não é monitorada, não há notificação de casos e nem das mortes que causa.

A DOENÇA

A Parvovirose é uma enfermidade infectocontagiosa, grave e muito agressiva. É causada pelo Parvo Vírus Canino. Ele é eliminado pelas fezes dos animais infectados, se espalha rapidamente e se mantém resistente no ambiente por até dois anos.

A contaminação ocorre quando o cão saudável cheira as fezes de animal infectado. O vírus é contraído pelas narinas. A doença acomete, principalmente, cães com menos de um ano de idade. Os filhotinhos são mais susceptíveis. 

Estudos revelam que em períodos chuvosos, como agora, o risco do cão ser contaminado pelo Parvo vírus é maior, pois a sua disseminação ocorre de forma mais rápida.

SINTOMAS 

Os principais sintomas da Parvovirose são: gastrointerite hemorrágica, diarreia inicialmente branda, mas que logo evolui para sanguinolenta e muito fétida; muitos episódio de vômitos, febre, falta de apetite e fraqueza decorrente da desidratação.

Devido as diarréias e aos vômitos, o animal rapidamente pode chegar a um quadro de fraqueza grave. A falta de apetite pode chegar a sete dias. O cão não querer se alimentar e muitas vezes não consegue nem ingerir água por vontade própria.

VACINA E IMUNIZAÇÃO

A única maneira eficaz de prevenir a doença é  vacinando o animal. Atualmente existem no mercado algumas vacinas. As importadas são as mais indicadas porque, segundo especialistas, são mais eficazes e mais rápidas na imunização do animal.

No mercado de vacinas Pet tem uma bivalente que pode ser aplicada a partir dos 28 dias de vida do cão. Elas consegue gerar uma proteção precoce e mais segura para esses animais. 

Os veterinários explicam que depois da primeira dose são aplicadas mais duas, três ou quatro doses de vacinas múltiplas. A quantidade das doses depende de cada raça, do estado de saúde do animal, da imunidade dos pais e do local onde o cão vive. 

"Todas as vacinas devem ser aplicadas, preferencialmente, por um médico veterinário habilitado, pois animal precisa passar por uma avaliação prévia para saber se o mesmo está apto a receber aquela dosagem e se ela vai realmente assegurar imunização daquele cãozinho", diz Tiago Paixão.

O veterinário Tiago Paixão com um belo cão

O veterinário chama atenção para a importância das doses de reforços da vacina. Segundo ele, caso seja um filhote com menos de três meses, só uma ou duas doses não garantem a total imunidade do cão. É preciso completar todo o protocolo de vacinação e repetir anualmente com uma dose de reforço. "Só assim o dono vai conseguir livrar seu cão da Parvovirose Canina", explica Tiago.

Além da vacinação, outros cuidados devem ser adotados para que seu cão de estimação fique protegido de doenças. Evite passear com seu animal antes dele tomar todas as vacinas. Também deve evitar contato com outros cães antes de terminar o protocolo de vacinação.

SERVIÇO 

A vacina contra o Parvo Vírus Canino não é disponibilizada gratuitamente na rede pública, porque a Parvovirose não é uma zoonose, não é uma doença transmitida de animais a seres humanos. 

CASOS 

Leon, o cãozinho da professora Rafaela Morais, contraiu o vírus, mas foi um dos que conseguiu escapar e sem sequelas aparentes. Ela mora no Conjunto Parque e conta que do dia para a noite percebeu que Leon ficou fraco, molinho e vomitava sempre que se alimentava. De início ela achou que não fosse nada grave, mas de repente, ele não conseguia mais ficar em pé e nem caminhava. Nesse momento bateu o desespero e Rafaela percebeu que Leon precisava de atendimento médico com urgência. Leon não era vacinado.

Rafael com Leon, agora com um ano

Chamei uma veterinária porque não tinha condições de levá-lo no colo. Ela veio e aplicou soro e remédios, mas ele não melhorava. Foi piorando, começou a se arrastar. Levei para uma clínica veterinária e o diagnóstico foi muito ruim. Não me deram muitas esperanças. Pensei que ele fosse morrer. Leon ficou internado por três dias, mas saiu curado", disse Rafaela.

Já o cachorrinho da estudante Bruna Sousa, de 17 anos, não teve a mesma sorte e faleceu três dias depois de apresentar os primeiros sintomas da doença.

A dona do Freddy, disse que seu cãozinho tinha menos de três meses de vida quando foi contaminado. Ela conta que tinha ido para a aula e quando voltou viu que ele estava com diarreia de forte odor e vômitos. 

"Eu já encontrei ele debilitado, não levantava. Dei um jeito de levar para o veterinário e ele não resistiu. Foi tudo muito rápido. Os médicos disseram que o caso dele era muito grave e ele era muito pequenino. 

Bruna informou que um dia depois que o seu Freddy morreu, o cachorro de uma vizinha também morreu com os mesmos sintomas. "Eu não vou mais criar cachorro tão cedo, pois não posso manter o calendário de vacinas em dia. É importante que as pessoas tenham essa consciência, porque não é só pegar um cachorro e pronto. Ele precisa de cuidados, principalmente com a saúde", explicou a estudante.

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