CINEMA

Como é o funcionamento dos dois únicos cinemas abertos no país

Salas localizadas em cidades gaúchas seguem instruções como distanciamento de dois metros e a obrigatoriedade do uso de máscaras


Fachada do Cine Globo  na cidade Três Passos - RS, um dos únicos cinemas em funcionamento no país

Fachada do Cine Globo na cidade Três Passos - RS, um dos únicos cinemas em funcionamento no país Foto: Divulgação

Com apenas 62 espectadores, Os Órfãos, que estreou em janeiro, foi o filme mais assistido do Brasil na última semana. Ele foi exibido nas duas únicas salas em funcionamento no país, nas cidades gaúchas de Santa Rosa e Três Passos, reabertas em 17 de abril, quando as prefeituras locais relaxaram as medidas de distanciamento social. As outras 3.350 salas de cinema do país (número aproximado) estão todas fechadas desde março como medida preventiva à epidemia causada pelo coronavírus.

As salas pertencem à rede local Cine Globo, do empresário Levy Filho, 32 anos, que só pode reabri-las porque a região apresentou uma taxa baixa de contaminação. Santa Rosa teve quatro casos confirmados e nenhuma morte. Três Passos não registrou nenhuma ocorrência. Até a segunda-feira, 27, o Rio Grande do Sul tinha 1.228 casos confirmados e 42 mortes. Levy também é dono de outros dois espaços, que estão fechados, nas cidades de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões, onde o funcionamento ainda não foi permitido.

No restante do mundo, os cinemas, por serem locais fechados e por promoverem aglomerações de pessoas, deverão ser os últimos, ao lado de shows e eventos, a serem liberados completamente para o funcionamento. Ao todo, em Santa Rosa e Três Passos, 157 pessoas desafiaram as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e foram assistir aos filmes da rede na última semana, rendendo 1.520 reais em bilheteria. Além de Os Órfãos também foram exibidos O Homem Invisível, Sonic – O Filme, Dolittle e 1917. Para o próximo final de semana, deverão entrar em cartaz Coringa, Aquaman e A Maldição da Chorona, escolhidas pelo público em uma enquete no Facebook.

Levy relata as medidas preventivas que tomou. Para evitar aglomerações, limitou a 30% a lotação de cada sala, que são daquelas de rua, antigas e amplas, com mais de 800 metros quadrados e cerca de 700 lugares, permitindo o espaçamento de mais de dois metros entre cada pessoa. Para contornar o natural medo que o público poderia sentir ao entrar em ambiente fechado, é obrigatório o uso de máscara (se a pessoa não tiver o acessório, o cinema vende por 2 reais). Os clientes e os funcionários também são orientados a lavarem as mãos e a usarem álcool em gel ao entrarem. A cada sessão as poltronas e as salas são higienizadas.

O retorno às atividades, aliado a um delivery de pipocas, foi a maneira que o empresário encontrou para não quebrar e demitir os 35 funcionários, que estão trabalhando em esquema de rodízio e tiveram os salários reduzidos em 50%. Cada ingresso, que está sendo vendido pela metade do preço, será revertido em 1 quilo de alimento para doação. Outro motivo que ajudou foi o fato de o prédio ser próprio e Levy não pagar aluguel. No passado, ele investiu em painéis solares e, hoje, também não tem gastos com luz.
Mesmo assim, com todas as medidas preventivas, vale lembrar que ainda não há vacinas nem remédios para o coronavírus e a medida mais segura para evitar a contaminação é ficar em casa.

Desde que voltou a funcionar, nenhuma sessão contou com mais de 16 pessoas. “Não estamos indo contra a situação geral. Estamos funcionando com autorização. O medo é compreensível nas cidades grandes, mas não no interior. Queremos que as pessoas se sintam seguras”, justificou Levy.

Fonte: Veja

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