Saúde

COTAS

Debate na CDH sobre cotas em residência médica gera controvérsia

Audiência pública divide opiniões sobre o uso de cotas na formação médica

Teresinha Ferreira

18 de agosto de 2026 às 21:20 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A aplicação de cotas em seleções para residência médica foi tema de debate na Comissão de Direitos Humanos (CDH).
  • Há divergências sobre a implementação de cotas:
  • - A favor: argumenta-se que ações afirmativas são necessárias devido às desigualdades raciais na medicina, com baixa representação de negros e indígenas.
  • - Contra: destacados argumentos pela meritocracia, pois a residência envolve atendimento direto a pacientes e continuidade do treinamento médico.
  • O PL 452/2025, proposto pelo senador Dr. Hiran, visa proibir cotas em residências médicas.
  • O senador Paulo Paim defende a manutenção das cotas como meio de promover inclusão e refletir a diversidade na saúde pública.
  • O Ministério da Saúde apresentou dados sobre a baixa presença de negros na medicina, defendendo cotas para equilibrar desigualdades e melhorar o atendimento médico.
  • A coordenadora do Ministério da Igualdade Racial sugere que cotas são necessárias em todos os níveis da carreira médica.
  • Críticos, incluindo Dr. Hiran, levantarão preocupações sobre a qualidade da formação médica devido às cotas e à expansão de faculdades de medicina.
  • Uma ênfase foi feita na necessidade de critérios técnicos na seleção para residência médica, com menção ao Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica como prova de deficiências na formação atual.

Senado Notícias Comissão de Direitos Humanos (CDH)
Comissão de Direitos Humanos (CDH)

A aplicação de cotas em seleções para residência médica gerou divergências em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta terça-feira (18). Participantes defenderam ações afirmativas devido a desigualdades raciais na medicina, citando a baixa representação de negros e indígenas na área. Outros argumentaram pela meritocracia, enfatizando que essa formação é continuidade do treinamento médico e envolve atendimento direto a pacientes.

O debate abordou o PL 452/2025, proposto pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), que busca proibir cotas em processos de residência médica. O senador Paulo Paim (PT-RS) se opôs à proposta, afirmando que a Lei de Cotas é essencial para incluir grupos sub-representados e que a diversidade deve refletir-se na saúde pública.

Representando o Ministério da Saúde, Jerzey Timoteo Ribeiro Santos trouxe dados sobre a escassa presença de negros na medicina, defendendo a continuidade das cotas para equilibrar desigualdades históricas e melhorar o atendimento médico. Segundo ele, a presença de médicos com diversas origens enriquece o campo de forma cultural e técnica.

A coordenadora do Ministério da Igualdade Racial, Rosana Machado, questionou se a formação em medicina é suficiente para superar desigualdades raciais persistentes. Ela destacou a necessidade de cotas em todos os níveis da carreira médica para garantir acesso igualitário.

Entre os críticos, o senador Dr. Hiran apontou que a proliferação de faculdades de medicina e o sistema de cotas poderiam comprometer a qualidade formativa na residência. Alcindo Cerci Neto, do Conselho Federal de Medicina, reforçou que a seleção para residência não deve discriminar entre médicos com diferentes formas de ingresso na graduação.

O representante da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil, Gabriel Sanchez Okida, enfatizou que a residência médica exige alta competência técnica e acadêmica, defendendo que critérios técnicos sejam priorizados. Ele citou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica como evidência de lacunas na formação atual dos estudantes de medicina.

Fonte: Senado Notícias