Saúde

DIAGNÓSTICO

Atraso na ampliação do teste do pezinho afeta diagnóstico da AME

Entidades alertam que demora no teste prejudica tratamento precoce da doença

Teresinha Ferreira

08 de agosto de 2026 às 10:36 ▪ Atualizado há 6 horas

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  • O atraso na ampliação do teste do pezinho no Brasil complica o diagnóstico precoce da Atrofia Muscular Espinhal (AME).
  • Agosto é um mês de conscientização sobre a AME, destacando preocupações com a preservação dos movimentos das crianças.
  • O diagnóstico da AME tipo 1 ocorre, em média, aos 5 meses e 5 dias, com tratamento começando em até 1,7 ano.
  • Em países mais avançados, o intervalo para diagnóstico e tratamento é inferior a um mês.
  • A Lei nº 14.154/2021 visa ampliar doenças rastreadas no teste do pezinho, mas enfrenta desafios de implementação.
  • Apenas algumas regiões como Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul realizam triagem ampliada.
  • O Ministério da Saúde planeja concluir a expansão do teste até 2030.
  • O diagnóstico precoce pode prevenir perdas motoras irreversíveis.
  • Alta judicialização é necessária para acesso ao tratamento, especialmente para AME tipo 3.
  • Casos familiares ilustram diferenças no impacto do diagnóstico precoce.
  • A terapia gênica Zolgensma, disponível pelo SUS, evidencia avanços tecnológicos, mas há desafios no acesso a cuidados essenciais.

Agência Brasil Teste do pezinho no Brasil
Teste do pezinho no Brasil

O atraso na ampliação do teste do pezinho no Brasil está complicando o diagnóstico precoce da Atrofia Muscular Espinhal (AME), de acordo com entidades que representam pacientes. Agosto, mês de conscientização sobre a doença, traz à tona preocupações sobre como essa demora pode comprometer a preservação dos movimentos das crianças afetadas.

Dados do Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (Iname) indicam que o diagnóstico da AME tipo 1 ocorre, em média, aos 5 meses e 5 dias de vida, enquanto o início do tratamento pode demorar até 1,7 ano. Em países mais avançados, esse intervalo é inferior a um mês.

A Lei nº 14.154/2021, que propõe a ampliação das doenças rastreadas pelo teste do pezinho, enfrenta desafios na implementação. Somente o Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul realizam a triagem ampliada. Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul estão em processo de implantação, e o Ministério da Saúde prevê concluir a expansão até 2030.

Para Diovana Loriato, presidente do Iname, o diagnóstico precoce é crucial para evitar perdas motoras irreversíveis. "A perda de neurônios motores na AME tipo 1 é rápida e ocorre principalmente nos primeiros meses de vida. O diagnóstico precoce é a única forma de evitar essa cascata de perdas", afirma.

O Cadastro Nacional da AME aponta altos índices de judicialização para acesso ao tratamento. Entre pacientes com AME tipos 1 e 2, 39% só iniciaram o tratamento após decisão judicial, e para AME tipo 3, que ainda não é coberta pelo SUS, esse número chega a 73,9%.

Um caso que ilustra a importância do diagnóstico precoce é o da família de Keila Barbosa Pereira Mendes. Seus dois filhos, ambos com AME tipo 1, tiveram trajetórias muito diferentes devido ao tempo de diagnóstico e início de tratamento.

A terapia gênica Zolgensma, disponível pelo SUS, custa cerca de R$ 7 milhões e exemplifica o avanço do Brasil em tratamentos de alta tecnologia. No entanto, muitos pacientes ainda lutam para obter equipamentos essenciais para cuidados domiciliares, resultando em longas internações.

Fonte: Agência Brasil