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ASSÉDIO OU CORAÇÃO?

"Véi da Havan" reúne empregados e ataca fim da escala 6x1 durante inauguração de nova loja

Dono da rede varejista discursou em Caldas Novas (GO) no sábado (29) e afirmou que PEC é “medida eleitoreira”; proposta pode ser votada na CCJ do Senado nesta semana

Da Redação

31 de agosto de 2026 às 00:47 ▪ Atualizado há 50 minutos

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  • Luciano Hang critica a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1, considerando-a "medida eleitoreira".
  • Hang afirma que a mudança para o modelo 5x2 elevaria os custos da empresa e impactaria nos preços das mercadorias.
  • Argumenta que os funcionários teriam poder de compra reduzido e necessitariam de subempregos.
  • A PEC prevê uma redução gradual da carga horária para 40 horas semanais sem redução salarial.
  • Hang tem histórico de críticas contra o movimento por mais direitos trabalhistas.
  • A tramitação da PEC foi desbloqueada no Senado, onde precisará passar por votações na CCJ e no Plenário.
  • Defensores da medida citam benefícios como maior descanso e justiça distributiva para trabalhadores com menor renda.

Leopoldo Silva/Agência Senado Luciano Hang
Luciano Hang

O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, voltou a usar um evento da empresa para coagir e fazer "ameaças veladas" a empregados ao dirigir, mais uma vez, duras críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Desta vez, o palco foi a inauguração da 196ª megaloja da rede, no sábado (29), em Caldas Novas (GO).

Em discurso direcionado aos funcionários, Hang classificou a proposta, que tramita no Senado e pode ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já na quarta-feira (2), como uma “medida eleitoreira” e um “estelionato eleitoral”. Para o empresário, a mudança para o modelo 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso) elevaria os custos da Havan com mão de obra em cerca de 15%.

“Querem enganar você com o fim da escala 6x1. Eles querem o voto de vocês em outubro”, disse Hang, em referência às eleições presidenciais de 2026. Ele argumentou que o aumento das despesas seria repassado aos preços das mercadorias, com alta estimada entre 10% e 15%.

“Se você ganha a mesma coisa e os produtos vão subir 10 a 15%, vocês vão ter poder de compra menor. Então, sabem o que vão ter que fazer? Vão arranjar um subemprego. Ou seja, vão ter que trabalhar mais para comprar o que estão comprando hoje”, afirmou o dono da Havan.

A fala ocorre dias depois de o relator da PEC no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), apresentar parecer favorável à proposta e rejeitar emendas que buscavam manter jornadas superiores a 40 horas semanais. O texto prevê redução gradual da carga horária semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso, um deles preferencialmente aos domingos, e sem redução salarial.

Provocações e histórico de críticas

Não é a primeira vez que Hang se posiciona contra o fim da escala 6x1. Em maio, quando a proposta chegou à reta final de votação na Câmara, ele já havia criticado a medida. Em julho, o empresário publicou um vídeo nas redes sociais ironizando o debate ao apresentar um robô que, segundo ele, trabalha sete dias por semana, das 8h às 20h, “sem mimimi nem chororô”. A publicação foi interpretada por críticos como uma provocação ao movimento que defende mais direitos trabalhistas.

Aliado declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Hang foi figura frequente em manifestações de apoio ao bolsonarismo. Em 2022, ele chegou a afirmar que fecharia lojas e demitiria funcionários caso Lula fosse eleito, o que não se concretizou. Ao contrário do que disse o empresário, a rede Havan cresceu e projeta encerrar 2026 com 200 lojas em operação e faturamento estimado em R$ 22 bilhões.

Tramitação da PEC

A PEC que acaba com a escala 6x1 estava parada no Senado há três meses e foi desbloqueada após reaproximação entre o presidente Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. A expectativa é que a CCJ vote o relatório na quarta-feira (2). Se aprovada, a proposta ainda precisará passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um.

Defensores da medida argumentam que a rotina com apenas uma folga semanal provoca desgaste físico e emocional, reduzindo o tempo para descanso, convivência familiar e cuidados pessoais. O relator Omar Aziz destacou em seu parecer que a carga elevada recai principalmente sobre trabalhadores com menor renda e escolaridade, e que a redução da jornada é uma forma de justiça distributiva.

Fonte: Redes sociais