FRUTICULTURA
Teresinha Ferreira
03 de outubro de 2026 às 00:52 ▪ Atualizado há 12 horas
A fruticultura no Brasil, que movimenta R$ 15 bilhões anualmente, esconde um processo de exploração dos trabalhadores rurais, conforme aponta estudo da Oxfam Brasil e Molina Consulting. O país é o terceiro maior produtor de frutas, mas a violação dos direitos trabalhistas é um problema persistente.
O estudo, intitulado Dinâmicas do Trabalho Assalariado Rural, investigou as condições trabalhistas no Vale do São Francisco e na Serra Gaúcha. Segundo a diretora executiva da Oxfam, Viviana Santiago, a riqueza do setor alimenta-se da vulnerabilidade dos trabalhadores.
Uma crítica central é a falta de fiscalização, permitindo jornadas exaustivas de trabalho. Colhedores enfrentam longas horas e condições climáticas adversas, cortando até acesso básico a água para atingir metas impostas.
A omissão nos registros de acidentes de trabalho também foi destacada. Apenas um em cada cinquenta casos de intoxicação é formalmente notificado nos postos de saúde no Vale do São Francisco, segundo o estudo.
Além disso, a alta informalidade é um desafio que perpetua a exploração. Cerca de 69,2% dos trabalhadores do setor estão na informalidade, gerando um colapso social futuro ao comprometer a previdência, especialmente para mulheres negras, que são as mais afetadas.
Sindicatos têm um papel vital na construção de melhores condições, mas enfrentam desafios devido à alta taxa de informalidade e contratos temporários. Fortalecer a atuação sindical é crucial para proteção e negociação coletiva.
Fonte: Agência Brasil