Brasil

CERRADO

Cerrado perde 13,9 milhões de hectares de margens de rios

Área destruída entre 1985 e 2025 equivale ao tamanho do estado do Amapá.

Teresinha Ferreira

08 de outubro de 2026 às 07:07 ▪ Atualizado há 11 horas

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  • O Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em margens de rios entre 1985 e 2025.
  • Essa perda é comparável ao tamanho do estado do Amapá, representando 26,9% da cobertura convertida.
  • O estudo é do MapBiomas, destacando o impacto na qualidade da água e vulnerabilidade climática.
  • Vegetação nas margens dos rios é crucial para proteger o solo e a água.
  • Alto Tocantins e Araguaia foram as bacias com maior perda.
  • No bioma, 51,7 milhões de hectares foram perdidos, principalmente savanas.
  • Agropecuária cresceu de 46,7 para 97,9 milhões de hectares.
  • Estados como São Paulo perderam mais de 50% da cobertura vegetal, enquanto o Piauí manteve 78,2%.
  • Em 2025, agropecuária dominava 61% do Cerrado municipal.
  • 77,7% da perda ocorreu em áreas privadas, enquanto protegidas tiveram uma perda de 13,9%.

Agência Brasil Cerrado perde 13,9 milhões
Cerrado perde 13,9 milhões

O Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em margens de rios e cursos d’água entre 1985 e 2025. Essa área devastada é comparável ao tamanho do estado do Amapá, representando 26,9% de toda a cobertura verde convertida para outros usos nesse período.

Os dados são de um estudo do MapBiomas, apresentado nesta quinta-feira (8), que analisa anualmente a cobertura e uso da terra no Brasil. Bárbara Costa, do IPAM, alerta que essa redução pode comprometer a qualidade da água e aumentar a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.

Ela explica que

“a vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo e evitar que sedimentos cheguem às águas”.

Entre as seis grandes bacias do Cerrado, a do Alto Tocantins sofreu a maior perda, com 2,9 milhões de hectares a menos, enquanto a Bacia do Araguaia perdeu 2,7 milhões de hectares. Juntas, elas representam 41% da redução total nas margens dos rios.

Em todo o bioma entre 1985 e 2025, houve uma perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, cerca de 34% do total. A formação savânica foi a mais atingida (41% de perda), seguida pela florestal (25%) e campestre (39%).

Grande parte da área desmatada deu lugar à agropecuária, que cresceu de 46,7 para 97,9 milhões de hectares, ocupando 48,9% do Cerrado. Somente em 2025, a agricultura ocupava 29,7 milhões e a pecuária 53,9 milhões de hectares.

Entre 1985 e 2025, cinco estados e o DF perderam mais da metade de sua cobertura vegetal nativa, juntando-se a São Paulo. Em contrapartida, o Piauí manteve 78,2% do seu Cerrado nativo, seguido por Rondônia e Maranhão.

Em 2025, a agropecuária predominava em 61% das regiões de Cerrado dos municípios. Cerca de 77,7% da perda de vegetação ocorreu em áreas privadas, enquanto áreas protegidas perderam 13,9% em 41 anos.

Fonte: Agência Brasil