Wellington Dias diz que combate à abstenção vai ajudar ampliar votos de Lula em 2026

Ministro afirma que convencer eleitores a sair de casa é o caminho para bater recorde; ex-governadora Regina Sousa cobra campanha de rua, enquanto Rafael Fonteles projeta até 80% dos votos válidos

A menos de um mês do pleito, a estratégia do PT para garantir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa por um estado que já foi seu maior reduto eleitoral em 2022: o Piauí. Com a missão de não apenas manter, mas ampliar a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o partido mira a redução do número de abstenções e uma campanha mais presente nas periferias ao mesmo tempo em que o governador Rafael Fonteles projeta uma votação histórica, próxima dos 80%.

Para vencer com folga sobre Flávio Bolsonaro, além de diminuir a vantagem do adversário em Estados do Sul e Sudeste, o PT quer ampliar a votação de Lula no Norte e no Nordeste. E no Piauí, onde o petista já obteve 76,68% dos votos válidos no segundo turno de 2022, a aposta é ousada.

Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e coordenador da campanha de Lula no Piauí, Wellington Dias (PT) é possível, sim, ampliar a votação do presidente no estado. A receita, segundo ele, passa por um diagnóstico preciso: “É reduzindo a abstenção. Para isso é preciso convencer as pessoas que não querem ir votar. É fazer com que essas pessoas sintam que é importante votar.”

Dias, que já foi governador do Piauí e é senador, tem a missão de articular a campanha petista no estado, equilibrando as responsabilidades do ministério com os compromissos eleitorais. Para ele, o Nordeste, e especialmente o Piauí, será decisivo para a reeleição de Lula em 2026. O senador acompanha diariamente pesquisas de intenção de voto e vê uma maioria consistente favorável ao presidente na região, impulsionada por indicadores positivos da gestão federal, como a redução da fome, da pobreza e da desigualdade.

Regina Sousa cobra campanha nas ruas

A visão do ministro, no entanto, encontra ressalvas na ala mais ligada à militância. A ex-governadora Regina Sousa (PT) avalia que o partido está apostando excessivamente no chamado “centrão” e deixando de lado a campanha de rua, especialmente nas periferias. “Não se vê campanha do Lula. Ficam apostando no centrão. Esse povo não vota, fica assistindo e cobra fatura por ter fingido apoio”, criticou.

A declaração de Regina, que é uma das lideranças históricas do PT no Piauí e chegou a ser cotada para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026, reflete a insatisfação de parte da base com a estratégia atual. Para ela, o presidente Lula é o principal cabo eleitoral do partido e precisa estar mais presente nas ruas para convencer os eleitores que ainda estão indecisos ou desmobilizados.

Lula vai quebrar o recorde histórico

O governador Rafael Fonteles (PT), por sua vez, está confiante. Em declaração recente, ele afirmou que Lula deverá ampliar sua votação no Nordeste nas eleições de 2026 e projetou que, no Piauí, o petista poderá atingir cerca de 80% dos votos válidos. “Eu não tenho dúvida. Acho que ele vai quebrar o recorde histórico aqui no Piauí”, disse Fonteles.

O governador atribui esse otimismo às ações realizadas pelo seu governo e pelo governo federal, que, segundo ele, melhoraram significativamente a vida da população piauiense. “Poderá chegar à casa de 80% dos votos válidos, é uma estimativa que eu tenho. Então, estou muito animado. Acredito que, nos outros estados do Nordeste, um ou outro pode ter alguma diferença, mas, na maioria, o presidente Lula vai manter ou ampliar a votação que teve em 2022”, completou.

Cenário atual e os desafios para 2026

Os números dão razão ao otimismo do governador. Pesquisa Datafolha divulgada em agosto de 2026 mostra Lula com 60% das intenções de voto no primeiro turno no Piauí e 68% em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 24%. Levantamento da AtlasIntel/MeioNorte, realizado em julho, aponta o presidente com 70,8% dos votos totais contra 22,2% do senador, chegando a 76,1% nos votos válidos.

Apesar da vantagem expressiva, o PT sabe que não pode descuidar. O Piauí foi o estado onde Lula teve o melhor desempenho no país em 2022, com vitória em todas as 224 cidades. Repetir ou superar esse feito exige uma campanha atenta às peculiaridades locais, que combine o trabalho de articulação política com a mobilização popular — exatamente o que Wellington Dias, Regina Sousa e Rafael Fonteles, cada um a seu modo, estão propondo.