Flávio Bolsonaro recebe apoio de condenados por homicídios e estupros

Cristian Cravinhos declarou voto no candidato, Daniel Alves publicou vídeo de apoio e vice da chapa é alvo de pedido de investigação por estupro de vulnerável

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recebeu, durante a campanha de 2026, manifestações de apoio de pessoas envolvidas em casos criminais de grande repercussão. Entre os nomes estão Cristian Cravinhos, condenado pela participação no assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen; o ex-jogador Daniel Alves, que foi condenado na Espanha por estupro sexual e posteriormente absolvido; e Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio, que é alvo de pedido de investigação por suspeita de estupro de vulnerável e nega a acusação.

Os apoios ganharam destaque nas redes sociais justamente pelo histórico dos envolvidos e passaram a integrar o debate político sobre a candidatura de Flávio no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

Cristian Cravinhos declarou voto em Flávio

Condenado a 38 anos e seis meses de prisão pela participação no assassinato do casal Manfred e Marísia von Richthofen, Cristian Cravinhos declarou publicamente apoio a Flávio Bolsonaro em agosto.

Em vídeos publicados nas redes sociais, ele afirmou que pretende votar no número 22 e relacionou sua escolha a pautas como segurança, educação, saúde e combate à impunidade. “Cara, eu voto 22 para ter um Brasil mais lúdico, onde a educação é valorizada e a saúde também”, afirmou.

A manifestação provocou repercussão porque Cravinhos é condenado pelo crime que ficou conhecido nacionalmente como caso Richthofen.

Daniel Alves publica vídeo de apoio

Outro nome que declarou apoio a Flávio foi Daniel Alves. Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (5), um dia depois do primeiro turno, o ex-jogador afirmou que teria recebido uma orientação religiosa para apoiar Bolsonaro e pediu união em torno do candidato.

“Esses dias o Espírito Santo estava soprando o teu nome, Bolsonaro, e o teu número duas vezes”, declarou.

O histórico judicial de Daniel Alves, porém, possui uma diferença importante em relação ao caso de Cristian Cravinhos. O ex-jogador foi condenado, em 2024, pela Justiça espanhola a quatro anos e meio de prisão por agressão sexual. No ano seguinte, entretanto, uma corte superior da Catalunha anulou a condenação e o absolveu por considerar que as provas não eram suficientes para sustentar a decisão.

Vice de Flávio é alvo de pedido de investigação

A própria chapa de Flávio também está no centro de uma controvérsia relacionada a crime sexual. O candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL-AL), foi alvo de um pedido de investigação no Supremo Tribunal Federal por suspeita de estupro de vulnerável.

Segundo a acusação apresentada ao STF, os fatos envolveriam uma adolescente de 13 anos. Gaspar nega as acusações, afirma que o episódio divulgado diz respeito a um primo e declarou ter realizado exame de DNA para demonstrar sua inocência. O ministro Gilmar Mendes analisa o caso, que ainda depende de decisão sobre a abertura formal de investigação.

É importante diferenciar as situações: Cristian Cravinhos é condenado por homicídio; Daniel Alves teve uma condenação por agressão sexual posteriormente anulada; e Alfredo Gaspar é alvo de uma acusação que ele nega e que ainda está sob análise das autoridades.

Apoios de integrantes da família Bolsonaro também já envolveram condenados

A controvérsia não é inédita no entorno político da família Bolsonaro. Em eleições anteriores, Jair Bolsonaro também recebeu manifestações públicas de apoio de pessoas condenadas por crimes graves.

Entre elas estão o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pela morte e ocultação do cadáver de Eliza Samudio, e o ex-ator Guilherme de Pádua, condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez. O ex-jogador Robinho, condenado na Itália por estupro coletivo e obrigado a cumprir a pena no Brasil, também declarou apoio a Jair Bolsonaro em 2022.

Em 2026, Flávio Bolsonaro avançou para o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após obter cerca de 47% dos votos válidos no primeiro turno. A campanha agora busca ampliar sua base de apoio para a votação de 25 de outubro.