O Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI) instaurou um inquérito civil para investigar denúncias de possíveis ameaças, assédio e abuso do poder diretivo envolvendo trabalhadores da Almaviva Experience S.A., empresa do setor de call center instalada no bairro Dirceu, na zona Sudeste de Teresina.
A portaria foi assinada pela procuradora do Trabalho Maria Elena Moreira Rêgo e tem como objetivo apurar se funcionários foram pressionados a emprestar dinheiro a um supervisor.
Conforme os relatos que deram origem ao inquérito, os empregados teriam sido ameaçados de demissão ou de transferência para outro setor caso se recusassem a atender ao pedido. As informações ainda serão investigadas e, até a conclusão do procedimento, devem ser tratadas como denúncias, sem antecipação de responsabilidade da empresa ou das pessoas mencionadas.
O MPT deverá reunir documentos, ouvir trabalhadores e representantes da empresa e adotar outras medidas consideradas necessárias para esclarecer os fatos. A abertura do inquérito não representa condenação, mas formaliza a investigação conduzida pelo órgão responsável pela defesa dos direitos coletivos nas relações de trabalho.
Investigação abrange assédio e abuso de poder
Além da suposta pressão financeira, o procedimento deverá verificar a possível ocorrência de abuso do poder diretivo do empregador, violência e assédio no ambiente profissional e eventual desrespeito à igualdade de oportunidades nas relações de trabalho.
O poder diretivo permite que uma empresa organize, fiscalize e discipline suas atividades. Essa prerrogativa, entretanto, deve ser exercida dentro dos limites da legislação e sem constrangimentos, ameaças, discriminação ou práticas capazes de atingir a dignidade dos trabalhadores.
Caso as irregularidades sejam comprovadas, o Ministério Público do Trabalho poderá propor a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, conhecido como TAC, ou ajuizar uma ação civil pública. Também poderá solicitar medidas destinadas a interromper práticas consideradas ilegais e reparar eventuais danos coletivos.
Almaviva já foi alvo de outras apurações
Em fevereiro de 2026, o MPT abriu outro procedimento relacionado à Almaviva em Teresina. Na ocasião, a denúncia dizia respeito a uma escala que supostamente não garantiria às trabalhadoras o repouso semanal aos domingos pelo menos uma vez a cada 15 dias.
O novo inquérito é independente dessa apuração anterior e trata especificamente das alegações de pressão sobre funcionários para a realização de empréstimos a um supervisor.
Em junho de 2025, o MPT-PI e o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado do Piauí (Sinttel-PI) também convocaram antigos funcionários da Almaviva para consultar valores decorrentes de ações trabalhistas.
A convocação alcançou pessoas que trabalharam na empresa entre janeiro de 2016 e maio de 2021. Segundo o comunicado oficial do MPT-PI, os processos discutiam salários-base inferiores ao mínimo legal e diferenças relacionadas a um manual interno de dosimetria. Esses processos anteriores não comprovam as novas acusações, que deverão ser examinadas separadamente no inquérito recém-aberto.
Sindicato deve acompanhar investigação
O Sinttel-PI representa os trabalhadores de telecomunicações e de call centers no estado. Até a conclusão desta apuração jornalística, não foi localizada manifestação pública do sindicato especificamente sobre as novas denúncias.
Espaço aberto para manifestação
Até o fechamento desta matéria, a Almaviva Experience não havia se manifestado sobre as acusações investigadas no novo inquérito. O espaço permanece aberto para que a empresa e o supervisor mencionado apresentem esclarecimentos.