Mercado projeta corte da Selic para 13,75%, aponta pesquisa do BC

Mercado projeta corte da Selic para 13,75%, aponta pesquisa do BC

O mercado financeiro espera que o Banco Central reduza a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para esta semana. A expectativa consta do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14) pelo Banco Central. A projeção indica um corte de 0,25 ponto percentual nos juros básicos da economia. O Copom se reúne nesta terça (15) e quarta-feira (16) para avaliar o cenário econômico e definir o novo patamar da taxa básica de juros.

Caso a expectativa se confirme, será o quinto corte consecutivo da Selic no atual ciclo de redução dos juros. A taxa está atualmente em 14% ao ano. Na reunião realizada em agosto, o Banco Central reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14%.

Mercado espera Selic em 13,75% no fim do ano

A mediana das projeções do Focus indica que a Selic deverá terminar 2026 em 13,75% ao ano. A previsão permanece nesse patamar pela sexta semana consecutiva. Entre as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, entretanto, há sinais de expectativa por juros ainda menores: a mediana desse grupo passou de 13,75% para 13,56% no encerramento de 2026. Para 2027, a projeção geral permanece em 12% ao ano. Para 2028, os analistas consultados pelo Banco Central projetam Selic de 10,50%, enquanto a estimativa para 2029 é de 10% ao ano.

Inflação prevista para 2026 cai para 4,90%

O novo Focus também trouxe redução na expectativa de inflação. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 passou de 5% para 4,90%. Há quatro semanas, a previsão do mercado estava em 5,02%. Para 2027, entretanto, a expectativa para o IPCA apresentou ligeiro aumento, passando de 4,29% para 4,30%. Para 2028, a estimativa permanece em 3,80%, enquanto para 2029 está em 3,50%.

Mercado reduz projeção para crescimento da economiaOs economistas consultados pelo Banco Central também ficaram um pouco mais pessimistas em relação ao crescimento da economia brasileira. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 caiu de 1,93% para 1,89%. Há quatro semanas, a expectativa era de crescimento de 1,98%.  Para 2027, a projeção também foi reduzida, passando de 1,50% para 1,45%. Para 2028, o mercado prevê crescimento de 1,87%, e para 2029, de 2%.

Dólar é projetado em R$ 5,20

No câmbio, o mercado manteve a previsão de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,20. Para 2027, a projeção caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28. As estimativas são de R$ 5,30 para 2028 e R$ 5,36 para 2029.

O que muda com a queda da Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de referência para diversas operações financeiras. Quando a taxa diminui, a tendência é de redução gradual do custo do crédito, embora a queda da Selic não seja transferida automaticamente nem na mesma proporção para os juros cobrados de consumidores e empresas.

Empréstimos, financiamentos, crédito imobiliário e capital de giro podem ficar mais baratos ao longo do ciclo de redução dos juros. Por outro lado, aplicações de renda fixa diretamente relacionadas às taxas de juros tendem a oferecer remuneração menor.

O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento de política monetária para controlar a inflação. Juros mais elevados tendem a reduzir consumo e investimentos e, consequentemente, a pressão sobre os preços. A redução dos juros busca estimular a atividade econômica, desde que seja compatível com a trajetória esperada da inflação.

Decisão será conhecida na quarta-feira

Apesar da expectativa praticamente consensual do mercado por um novo corte, a redução para 13,75% ainda não está definida. A decisão caberá aos integrantes do Copom após a análise dos indicadores de inflação, atividade econômica, cenário fiscal, expectativas do mercado e ambiente internacional. O resultado da reunião será anunciado pelo Banco Central na quarta-feira (16). Se o corte de 0,25 ponto percentual for confirmado, a Selic chegará a 13,75% ao ano, acumulando redução de 1,25 ponto percentual desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária, em março.