Desde criança, a professora de Química, Ravane Silva, já sabia o que queria ser quando crescesse: professora. Inspirada pelos educadores que passaram por sua vida, ela transformou a vontade de ensinar em profissão. Formada em Química pela Universidade Estadual do Piauí (Uespi), construiu parte de sua trajetória em salas de aula piauienses e, depois de mais de uma década na docência, levou sua carreira para outro estado. Hoje, é professora efetiva da rede estadual de ensino do Tocantins.
No Dia do Professor, celebrado nesta quinta-feira (15), a história de Ravane mostra tanto a realização de quem escolheu a educação quanto os desafios de uma profissão que exige muito além do tempo dedicado às aulas. A jornada envolve planejamento, correção de atividades, adaptação às necessidades dos estudantes e uma rotina que frequentemente invade os momentos reservados ao descanso e à família.
"Eu sempre quis ser professora desde criança eu já tinha essa vocação para ensinar, então ao longo da vida eu fui tendo professores muito bons, muito excelentes e que me inspiraram a ser professora", conta.
A escolha profissional, no entanto, não significa que o caminho tenha sido simples. Depois de concluir a graduação, a professora de Química precisou lidar com as incertezas sobre como iniciar a carreira e conquistar estabilidade. Na época, segundo ela, havia poucas oportunidades em concursos públicos, e os processos seletivos para professora substituta eram uma alternativa para conseguir trabalho, muitas vezes com remuneração baixa.
A perspectiva de conquistar uma vaga efetiva foi o que a manteve firme no objetivo de construir uma carreira na educação. A estabilidade financeira e profissional representava a possibilidade de seguir ensinando sem conviver permanentemente com a insegurança sobre o próximo emprego.
Entre a realização de ensinar e o desafio de viver da profissão
"A maioria dos professores para eles conseguirem ganhar pelos menos 5 salários mínimos têm que trabalhar 40 horas semanais", afirma.
Além das aulas, o trabalho inclui preparar conteúdos, elaborar atividades e corrigir avaliações. Ravane procura aproveitar o tempo disponível na escola para adiantar essas tarefas, mas nem sempre consegue concluir tudo durante o expediente.
"O ambiente escolar não é controlado e tem muitas interferências. Então, isso acaba atrapalhando a produtividade do professor", explica.
A falta de um espaço reservado para o planejamento também interfere na rotina. Segundo ela, a sala dos professores é compartilhada com outros profissionais e nem sempre oferece as condições necessárias para realizar as atividades com concentração. O resultado é o trabalho levado para casa, ocupando períodos que poderiam ser destinados ao lazer e à convivência familiar.
Ensinar também é enfrentar os desafios da sala de aula
Para a professora Ravane, a importância da docência está relacionada à possibilidade de ampliar as oportunidades dos estudantes. Ela reconhece, porém, que a realidade escolar exige persistência. Na avaliação da professora, a distância entre algumas famílias e a escola, somada à influência das redes sociais e à percepção de que é possível ter sucesso sem estudar, torna o trabalho dos educadores ainda mais desafiador.
"Então, a gente vai estar na sala de aula para cumprir esse desafio, que é colocar na cabeça dos alunos a importância da educação e que ela é realmente importante como meio de transformação social."
Os resultados dos estudantes são, para ela, uma das maiores recompensas da profissão. Ver alunos aprovados em processos seletivos, vestibulares e universidades mostra que o esforço pode produzir mudanças concretas. Mesmo quando esse resultado alcança apenas uma parcela da turma, Ravane considera a conquista significativa.
"Quando a gente consegue ver que os nossos alunos estão tendo bons resultados, conseguindo passar em provas, passar em vestibulares, ingressarem em uma universidade pública ou particular que seja de qualidade, nós ficamos felizes demais, pois é muito gratificante para a nossa profissão."
Ao olhar para a própria trajetória, a professora Ravane afirma estar satisfeita com a escolha profissional, apesar das dificuldades que ainda precisam ser enfrentadas pela educação brasileira. Para ela, a docência continua sendo uma possibilidade de transformação social, especialmente para estudantes que encontram no ensino um caminho para ampliar suas perspectivas de futuro.
A professora recomenda a carreira a quem tem compromisso com a educação e compreende a importância do estudo na construção de oportunidades. A recomendação, no entanto, vem acompanhada do reconhecimento de que ainda há muito a melhorar nas condições de trabalho e na valorização dos profissionais.
"Sou muito satisfeita com a minha profissão e temos desafios, temos que melhorar bastante ainda, mas é sim uma profissão bastante gratificante."
Entre o Piauí, onde se formou e lecionou por anos, e o Tocantins, onde conquistou seu lugar como professora efetiva, Ravane construiu uma história marcada pela persistência. Sua trajetória lembra que a vocação pode ser o ponto de partida, mas permanecer na profissão exige condições dignas, valorização e oportunidades para que ensinar não signifique abrir mão do próprio descanso.