Chapa de Flávio pode ser cassada se Justiça comprovar interferência dos EUA na eleição

PT acionou STF para investigar possível atuação estrangeira nas eleições e pediu ao TSE a cassação da chapa do candidato

A chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, pode ser cassada caso a Justiça Eleitoral conclua que houve interferência estrangeira nas eleições de 2026 e que a atuação tenha configurado irregularidades eleitorais. O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou nesta quarta-feira (23) uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da chapa formada por Flávio e seu vice, Alfredo Gaspar, além da inelegibilidade do senador e de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Paralelamente, o PT acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a abertura de uma investigação sobre uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. O pedido foi encaminhado ao ministro Flávio Dino e solicita que a Polícia Federal apure a eventual participação de agentes estrangeiros, recursos, operações financeiras e ações digitais que poderiam ter favorecido a candidatura de Flávio.

O que o PT aponta

Na ação apresentada ao TSE, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva afirma que Flávio e Eduardo Bolsonaro teriam atuado em articulações com autoridades norte-americanas e que essas iniciativas poderiam ter produzido efeitos eleitorais favoráveis ao candidato do PL.

Entre os episódios citados estão medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, como tarifas comerciais contra o Brasil e sanções aplicadas a autoridades brasileiras. O PT também menciona reuniões e contatos de integrantes da família Bolsonaro com representantes norte-americanos. As alegações fazem parte do pedido de investigação e ainda precisam ser analisadas pela Justiça.

A legenda também cita a possibilidade de apoio financeiro ou operacional vindo do exterior. Um dos nomes mencionados é o da Rockbridge Network, organização norte-americana que, segundo a petição, teria possíveis conexões com pessoas envolvidas em iniciativas de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O pedido ao STF solicita que sejam investigados contratos, pagamentos, registros financeiros, publicidade e outras operações que possam esclarecer a origem de eventuais recursos utilizados em ações relacionadas à eleição.

Anúncios pagos no exterior

Outro ponto apresentado pelo PT envolve anúncios publicados no X por perfis estrangeiros entre os dias 18 e 21 de setembro. Segundo a petição, os conteúdos eram favoráveis a Flávio Bolsonaro e faziam referência a dados da plataforma Polymarket, mas não identificavam claramente quem teria financiado as publicações.

A campanha de Flávio afirmou não ter conhecimento dos anúncios. A própria documentação apresentada ao STF sustenta que é necessário investigar quem realizou os pagamentos, os valores envolvidos e eventual ligação entre os responsáveis pelas campanhas digitais e a candidatura.

O que pode acontecer com a chapa

No TSE, o PT acusa Flávio e Eduardo Bolsonaro de possíveis práticas de abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação. A legenda pede que sejam realizadas diligências para esclarecer as suspeitas e, caso as irregularidades sejam comprovadas no processo, solicita a cassação da chapa de Flávio e Alfredo Gaspar.

A ação tramita no TSE e ainda está em fase de investigação. Portanto, não há decisão de cassação neste momento. A existência da ação também não significa que as acusações já tenham sido comprovadas.

Já no STF, o pedido apresentado pelo PT busca justamente a abertura de uma investigação para verificar se houve interferência estrangeira e identificar possíveis financiadores, executores e beneficiários.

O TSE já analisa outra investigação envolvendo Flávio Bolsonaro, relacionada a uma suposta atuação coordenada de perfis no Instagram para impulsionar conteúdos eleitorais. Em decisão recente, a Corte determinou que plataformas preservem e forneçam dados de contas investigadas.

A defesa e os demais envolvidos poderão apresentar suas manifestações no decorrer dos processos. Até o momento, as suspeitas apresentadas pelo PT permanecem sob investigação e dependem da análise das provas pela Justiça Eleitoral.