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O Piauí independente

O evento em Parnaíba, por seu pioneirismo, terminou por se torna a principal data no processo que não foi calmo


Dia do Piauí

Dia do Piauí Foto: Divulgação

Na próxima segunda-feira celebra-se o dia do Piauí. A data magna do Estado é celebrada em memória ao passo inaugural de adesão à independência, quando a Câmara de Parnaíba, em 19 de outubro de 1823, sob liderança de Simplício Dias da Silva, proclamou que a província do Piauí se juntava aos que, nos primeiros dias de setembro, iniciavam a consolidação de um movimento muito anterior de separação do Brasil do Reino de Portugal.

O evento em Parnaíba, por seu pioneirismo, terminou por se torna a principal data no processo que não foi calmo. Muito pelo contrário, porque Leonardo Castelo Branco, em Piracuruca, no dia 22 de janeiro de 1823, não somente aderia à causa da independência. Estava ali o começo de outra data fundante em nossa História, o 13 de março, quando se travou a Batalha do Jenipapo. Não menos importante, o dia 24 de janeiro de 1823, também é marco no movimento emancipacionista, com a proclamação de independência na primeira capital piauiense, sob a liderança de Manoel de Sousa Martins, futuro Visconde da Parnaíba.

A celebração oficial do Dia do Piauí somente se fez mais de 100 anos após o 19 de outubro, em 1937, quando foi sancionada a Lei 176, de 30 de agosto daquele ano. Era o governador do Piauí, então, o senhor Anfrísio Lobão Veras Filho, sendo o secretário-geral do governo o meu avô, João Osório Porfirio da Mota, parnaibano de nascimento. A lei que leva a assinatura de meu avó oficializou o pioneirismo autonomista dos parnaibanos.

Podemos ver, com efeito, que uma longa história se narra desde os eventos citados. O Piauí independente, como Província do Império do Brasil, surge apenas 65 anos após ser instalado como uma Capitania da Colônia, em 1758. Como uma unidade política, o Piauí mais tempo sob um sistema de autonomia política que como parte de uma colônia sujeitada aos humores e desejos da metrópole.

Ocorre de a gente se perguntar sobre se a independência política anda no mesmo compasso que a autonomia econômica. Neste ponto é preciso que a gente vislumbre ainda o elevado grau de dependência que o estado tem em relação, por exemplo, à União. É, aliás, uma questão não afeita apenas ao nosso estado, mas convém que a gente cuide somente de nossos interesses mais próximos. Sob esse aspecto, é forçoso dizer que temos as condições para ampliar o espaço de autonomia econômico-financeira em relativo espaço de tempo.

O Piauí que se desenha para o futuro pode e deve ser um estado mais autônomo economicamente – e isso seguramente se poderá obter a partir da ação de nós mesmos, os piauienses, lançando-nos no trabalho como, aliás, está na letra de nosso Hino, de autoria do poeta amarantino Francisco da Costa e Silva, que nos estimula:

“Possas tu no trabalho fecundo

E com fé, fazer sempre melhor

Para que no concerto do mundo

O Brasil seja ainda maior”.

Há um largo espectro do que possa ser o trabalho fecundo de que nos fala o poeta, indo desde o estudo a que milhares de crianças e jovens se lançam, até o empunhar dos instrumentos agrícolas e de pecuária que podem ensejar cada vez mais riqueza vinda da terra, essa que é querida, à qual pertencem nossa vida, nossos sonhos, nosso amor, com também escreveu o poeta amarantino. Fazer com que as palavras do hino se configurem em coisas concretas depende de cada um de nós. A independência, pela via da construção riqueza, está no esforço de todo piauiense. Mãos à obra, portanto!

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