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João Claudino, um homem extraordinário

Poderia eu enumerar os milhares de empregos, as empresas comerciais e industriais, o pioneirismo de um shopping em Teresina


João Claudino

João Claudino Foto: Reprodução

A sexta-feira, 24 de abril de 2020, será lembrando como um dia de uma perda grande demais para ser esquecida e de um vazio impreenchível, posto que o homem morto neste dia, João Claudino Fernandes, é daquelas pessoas únicas, imprescindíveis, cuja existência alterou o curso da história da comunidade em que viveu e produziu grandes e boas coisas.

Poderia eu enumerar os milhares de empregos, as empresas comerciais e industriais, o pioneirismo de um shopping em Teresina ou ainda a ousadia de fazer publicidade e propaganda como ferramentas de promoção de negócios, mas prefiro um olhar mais humano sobre o empresário João Claudino Fernandes, que gostava das coisas simples como encontrar os amigos numa roda de conversa ou de patrocinar cantadores e repentistas, realizadores de uma arte popular nordestina que sobrevive em razão do mecenato desinteressado como foi o de Seu João. Isso faz dele ainda mais extraodinário.

Essa condição, posso dizer, decorre de ele ser um profundo conhecedor da alma humana, um amante e patrocinador da cultura popular. Era um homem com muitos talentos e qualidades. Não cabia em si só, sendo pai, empresário, amigo, inovador, promotor da cultura, pessoa comum, sempre mais afeito a ouvir do que falar, daí quem sabe sua grande capacidade de sempre agir de modo mais adequado, de tomar decisões as mais acertadas, de empreender com mais sucesso que a maioria.

Mas para os que prestavam muita atenção, Seu João que pouco falava podia expressar muito que que sabia. E isso se fazia quando ele se dispunha a falar, porque os que pouco se expressam por palavras, quando o fazem ditam sabedoria imediatamente. No caso de João Claudino Fernandes, apreender seu conhecimento se poderia dar pelo exemplo do que ele fazia, por observação de seus atos, de suas ações. Tudo o que fazia era medido e pesado para que houvesse o mínimo de erros e de perdas.

Isso eu pude aprender porque, tendo sido ele amigo de meu pai, Berilo, herdei a amizade como consequência de uma relação amistosa entre duas gerações de homens respeitáveis. Tornei-me advogado de João Claudino Fernandes e isso fez-me estreitar laços e relações com ele, de modo que  tive a sorte e o privilégio de um contatos mais amiudados, que me permitiram perceber a importância do empresário para nosso Estado.

É um lugar-comum dizer-se que João Claudino Fernandes estabeleceu um paradigma empresarial no Estado do Piauí. Mas esta constatação certamente não pode ser negada porque o mundo dos negócios aqui se divide entre antes e depois dele – o que é bom, porque ao empreendedor com inovação e ousadia, ele animou seus concorrentes a seguir o exemplo e todos, sem dúvida, ganham quando há uma concorrência mais ampla.

Mas se morre o homem, ficam suas obras físicas e subjetivas – estas até maiores que suas realizações físicas, posto que seguirão como bom e imorrível exemplo.  E neste ponto, cabe lembrar o que sugeriu o escritor Victor Hugo, ao dizer que a morte torna as pessoas invisíveis, mas não ausentes. A presença, assim, faz-se maior na medida em que a pessoa deu à sua existência o sentido de grandeza. João Claudino foi grande e grandioso, dai porque até tornar-se invisível é difícil. Sua presença entre nós seguirá eterna.

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