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Jean Carlos, advogado, um sorriso que se encerra

Jean era do bairro Cabral, um dos mais tradicionais de nossa cidade.


Amigos de Jean Carlos de Oliveira

Amigos de Jean Carlos de Oliveira Foto: Divulgação

Temos sidos todos nós devastados todos os dias pela sucessão de tristezas e perdas decorrentes da ação deletéria da covid-19. Registro, assim, mais uma vida e amizade que se esvaiu, a do advogado Jean Carlos de Oliveira, que conheço desde que éramos os dois meninos, brincando pela rua, num tempo em que essa era a forma mais comum de crianças se divertirem, numa Teresina dos anos 70, ainda calma.

 Tínhamos a mesma idade, éramos do mesmo ano de 1966, de Copa do Mundo na Inglaterra. Jean era do bairro Cabral, um dos mais tradicionais de nossa cidade. Faz parte de uma bastante qualificada e bem-sucedida geração de graduados da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Piauí, da turma de 1990, na qual lembro estarem profissionais destacados: Cláudia Portela, Socorro Almeida, Luísa Cynobilina, Maria José Gomes Santos, Enedina Gomes Santos, Portugal Junior, João Batista Galvão, Mag Say-Say e Niomar Nogueira.

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Estudei em faculdade diversa e distante, em Recife, mas o tempo e a vida me fizeram reencontrar o Jean Carlos, que além de um colega de profissão era também um vizinho de prédio. Ele mantinha seu escritório no Palácio do Comércio, região central de Teresina e isso nos possibilitava um contato permanente – favorecendo até troças que eu, como flamenguista, fazia com ele, um vascaíno convicto.
Havia, evidentemente, alguma troca de experiências e impressões profissionais, embora atuássemos em áreas diversas do Direito, ele mais afeito ao Direito do Trabalho, onde se destacava, eu no Direito Empresarial, Tributário e Administrativo. Como um advogado do dia a dia, daqueles de presença cotidiana no fórum, firmou-se como exemplo de zelo pelo interesse do constituinte.
Cioso de suas obrigações, justo, trabalhador, atuou com eficiência como advogado da Federação da Agricultura do Estado do Piauí, Fez de seu mister, destaco, um ponto fundamental de construção de uma carreira profissional comum a boa parte dos advogados, no estrito cumprimento de suas atividades profissionais, algo que todos nós devemos olhar com absoluto respeito.
Um respeito que, no caso do Jean Carlos, pode e deve ser maior, considerando as condições pessoais dele, órfão de pai, criado pela mãe. Fez-se vencedor como advogado trabalhista, sendo, assim, um exemplo: um advogado que se faz por si próprio, sempre pautado por ética, probidade e respeito aos colegas.
Havia no Jean Carlos uma enorme satisfação com a vida, não por uma vida cheia de luxos ou superficialidades, mas a vida em si, pelo prazer de estar bem com as pessoas. Sua solicitude e cavalheirismo, marcado pelo sorriso, me fazem lembrar que pessoas de sua estirpe podem ser definidas por coisas como Guimarães Rosa escrevia: “O que ela quer da gente é coragem. É ser alegre, ser mais alegre dentro da alegria e ser ainda mais alegre dentro da tristeza”.

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