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Negócio da China

O ano de 1974 é citado aqui porque deu-se lá, em pleno governo Médici, a retomada das relações comerciais e diplomáticas com a China, o gigante comunista


China

China Foto: Divulgação

Possivelmente para quem tem menos de 40 anos, a expressão “negócio da China” não tenha nenhuma importância nem diga nada para a pessoa. Mas para mim que já passei dos 50, essa é uma expressão até corriqueira e que representava sempre algo bom, uma barganha positiva para quem propunha e para quem aceitava. Assim, o negócio da China sempre foi entendido como algo vantajoso para as duas que acordavam em fazê-lo.

A ideia vem de muito tempo, do tempo em que os europeus empreenderam a circunavegação e estabeleceram relações comerciais tanto com a China quanto com as Índias – e aqui cabe a gente lembrar que hoje é a Índia e não as Índias, cabendo indagar também porque no passado se pronunciava o nome do país do plural e agora no singular. Talvez a resposta esteja no fato de atualmente as pessoas olharem para qualquer canto do mundo como um bloco homogêneo, o que no caso da Índia não foi, não é e parece que nunca poderá ser.

Voltando à China ou ao negócio da China, no nosso idioma português a expressão pode derivar do fato de que o a Coroa Portuguesa lucrava mais de 6.000% com os produtos obtidos no Oriente – China e Índias. Isso entre os século XVI e XVIII, porque no século XIX, com a Inglaterra dominando os mares (e a China, por consequência) quem passou a fazer “negócio da China” foram os britânicos.

Porém, isso é passado e muito passado. Ajuda a explicar coisas que falamos e/ou fazemos hoje. Um passado bem mais próximo, em 1974, nos ajuda a compreender de modo mais adequado por que razão ainda existem boas razões para que sejam feitos “negócios da China”, só que desta vez com taxas de ganhos menores, mas possivelmente as mesmas dificuldades e rusgas que marcaram em todo o tempo as relações comerciais.

O ano de 1974 é citado aqui porque deu-se lá, em pleno governo Médici, a retomada das relações comerciais e diplomáticas com a China, o gigante comunista. Os Estados Unidos somente restabeleceriam suas relações com Pequim no ano seguinte, despachando para lá como embaixador um homem chamado George Bush, que viria a ser presidente dos Estados Unidos, entre 1989 e 1993.

Sobre isso, aliás, outro ponto interessante e que nos toca de perto aqui no Piauí: o embaixador brasileiro em Pequim a partir de 1974 foi o experiente diplomata Aluísio Napoleão do Rego, pai do ex-governador e ex-senador Hugo Napoleão. Nessa condição e fazendo parte de um corpo diplomático no outro lado do mundo, manteve uma relação até certo ponto estreita com o embaixador norte-americano em Pequim.

Já se vai quase meio século do restabelecimento das relações comerciais e diplomáticas do Brasil com a China e este país se tornou o maior parceiro comercial do nosso país – o que inclui nosso Piauí, porque os chineses são grandes compradores de soja, mais importante produto da pauta de exportações piauienses.

Pelo visto há muito o que ligar o Brasil (e o Piauí, por extensão) à China. As relações que se construíram ao longo dos anos cevam negócios os mais variados, com importação de bens de capital, tecnologia, componentes eletroeletrônicos, bens de consumo, peças de bicicletas, estas últimas compradas em vasta quantidade por um comerciante inteligente e perspicaz aqui do Piauí, o Rufino Damásio da Silva, que sempre fez bons negócios na China, antes mesmo que a maioria dos brasileiros se desse conta de que aquele país era uma espécie de “fábrica do mundo”.

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito pela UFPE. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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