ARTIGOS & OPINIÕES
RETOMADA

Para combater o coronavírus: álcool nas mãos e no “bucho”.

A disparidade entre bares e escolas.


Escolas

Escolas Foto: Divulgação

         Como de costume cotidianamente leio as notícias sobretudo as informações locais do Estado de Sergipe onde resido, há propósito um lugar que conquistou meu coração, sou baiano e moro no interior sergipano há pouco mais de um ano. E hoje me deparei com a notícia de capa do Jornal Correio de Sergipe trazendo a seguinte manchete: “Governo flexibiliza bares e libera novos setores”. O subtítulo da matéria diz: “Funcionamento presencial das escolas continua suspenso”.    

          Algumas coisas estranhas estão acontecendo por aqui no que diz respeito a pandemia, só para lembrar a operação “covidão” da Polícia Federal já deu umas batidas por estas terras, várias suspeitas de fraudes no uso do dinheiro público destinado ao combate e enfretamento ao covid-19 pipocaram por essas bandas. O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação ao Governo do Estado de Sergipe e aos prefeitos dos 75 municípios sergipanos para que sejam tomadas medidas para garantir a transparência dos gastos públicos empreendidos em razão da atual pandemia de covid-19. O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe tem intensificado a fiscalização e já encontrou diversas irregularidades.

         Ditas estas coisas vamos ao plano de flexibilização do Estado em questão, há pouco mais de um mês começou por aqui um processo de retomada da “vida normal”, depois de uma chuva de decretos de fecha, abre e fecha de novo. Novas medidas de flexibilização estão sendo tomadas, os bares estão abertos a final de contas o álcool mata o vírus então passa álcool nas mãos para a higienização exterior e ingere também um pouco de álcool para higienizar também por dentro, álcool no “bucho” neste caso evita o coronavírus.

         Os protocolos para os bares são os de sempre, álcool 70%, distanciamento e máscaras que para variar não são cumpridos, já que é impossível ingerir cervejas usando máscaras e nos bares as pessoas vão para se aglomerar em confraternizações, já que o simples ato de tomar uma cerveja poderia ser feito em casa, sendo assim a presença em um bar não é apenas consumir bebidas ou comida, mas é na verdade se reunir, conversar, se divertir e tais ações naturalmente geram aglomerações.      

         Enquanto isso as escolas continuam fechadas e ontem (10/09/2020) o governador do Estado e sua equipe se reuniu com Federação dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Sergipe – FENEM/SE para traçar a flexibilização para o retorno as aulas presencias. Pena que os critérios usados para os bares não são os mesmos para a educação. Do encontro saiu um complexo, extenso e impraticável documento contendo 72 páginas que estabelece os protocolos para à volta às aulas presenciais.

          Os protocolos só na área da higienização precisaria uma multidão de funcionários para executá-lo. Veja alguns pontos: “As instalações sanitárias merecem atenção especial, com limpeza a cada hora. E deve haver extremo cuidado com torneiras, acionadores de descargas, maçanetas e ferrolhos. É vetado o uso de toalha de tecido, sabonete em barra, tapete e vaso de papel com abertura manual. Torneiras com sensores. Somente os vasos de pedal podem ser utilizados. Independentemente da limpeza diária, os sanitários precisam, a cada dois dias, passar por uma limpeza profunda de lavagem das paredes, portas e basculantes”.

         As portas dos banheiros e salas precisam da instalação de dispositivos de abertura automática (molas hidráulicas) para evitar o uso das maçanetas. O piso das áreas comuns que incluem as salas de aulas deverá passar por desinfecção antes e depois das atividades e isso incluem também o mobiliário e durante as atividades escolares sem a presença dos alunos a cada duas horas tudo isso usando uma solução específica.

       Ao chegar na unidade escolar os alunos e os funcionários passarão por medição de temperatura e monitoramento durante todo o período e fazer o registo em um mapa.

       O professor deverá usar máscara, o documento enfatiza a necessidade do professor ser exemplo para os alunos. Não sei como o professor vai conseguir dar aulas, falando a maior parte do tempo que pode ser até 10 aulas por dia que totalizam 500 minutos ou 08 horas e meia fazendo o uso de uma sufocante máscara, isso também é impraticável.

        Os protocolos acima citados são só uma fração do exigido. Inviabilizando a volta às aulas. Há propósito o documento não especifica a data de retorno, porém o governador informou que a possível data de retorno só será anunciada após o dia 15 de outubro.

        O documento ainda prevê uma volta gradativa por série, sendo que cada série frequentaria as aulas presenciais em dias específicos. Não quero ser repetitivo, mas isso também não se aplica na prática, porque os professores não conseguem dar conta de ministrar aulas presenciais e online simultaneamente.

       Resumo da História o plano é muito bem elaborado, porém impraticável, já que em nenhum momento menciona a contratação de pessoas ou empresas especializadas para executar as muitas e multitarefas geradas, se assim fosse seria até positivo pelo menos estaria gerando empregos. Lembrando também precisaria de um grande investimento financeiro para adequar as estruturas das escolas e neste momento de crise e baixa arrecadação não creio que há orçamento disponível para tal.

       Pelo que é mostrado no documento fica claro o não desejo do governo na volta às aulas presencias, o mesmo não quis falar isso diretamente então colocou protocolos impraticáveis porque assim é justificada a não volta ao ensino presencial.

      Analisando a situação fica os questionamentos como podemos confiar, ter expectativas e o que esperar de um governo que coloca os bares como prioridade em relação às escolas? Tenha suas expectativas em Deus porque se depender do governo certamente só nos restará decepções, porque as decisões nem sempre serão coerentes com a realidade e nem tão pouco atenderá de fato a população.

Reinaldo Valverde Pereira, o professor Valverde é Licenciado em História e Bacharel em Teologia, atua como professor da rede estadual de Sergipe.

Instagram: @professor.valverde

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Profª Grazielle

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