LIDERANÇA

Brasil, país órfão de um presidente

As estatísticas de outros países anunciavam a agressividade e a letalidade do vírus.


Bolsonaro

Bolsonaro Foto: Divulgação

* luiz G. Motta

Há poucos dias o jornalista Clovis Rossi escreveu um artigo com o título que exclamava: “que falta faz um presidente”. Nos mesmos dias o colunista Josias de Souza alertava que o brasileiro se dava conta da falta que faz um presidente. Outro colunista, Celso Rocha Barros, declarava que fazia muita falta um ‘presidente não-Jair’. Todos expressavam a percepção cada vez mais unânime da população e meios políticos de uma total ausência de comando na crise que hoje assola o país. Jair Bolsonaro não tem o menor preparo para levar a bom termo a governança de uma nação. Ele briga com si mesmo, com seus próprios ministros, briga com o judiciário, xinga o poder legislativo, rompe com os governadores, abomina jornalistas, não tem nenhuma empatia com a população nem sentimentos de respeito pelo drama que o mundo e a sociedade brasileira passam. Cercou-se de seus insanos filhos que se inspiram em um lunático guru, e de uma panelinha de fanáticos abobalhados. Tornou público como é incompetente, despreparado, sem liderança nem vocação de estadista. Administra o país como a cozinha da casa dele, troca de ministros no meio de uma grave crise sanitária como quem vai de compras à feira.

A pandemia já infectou 200 mil pessoas e levou 15 mil à morte. E continua crescendo em todos os estados. O pesadelo sanitário pegou o país de surpresa: além de desconhecido, o vírus é devastador. Os serviços de saúde pública revelaram-se despreparados e mal equipados. Equipes médicas atônitas diante de um inimigo invisível, e sem os equipamentos para enfrentá-lo. Uma calamidade que pedia um líder, uma coordenação nacional firme que somasse esforços e impusesse diretrizes unificadas. Quando o país mais precisava de um chefe competente, se viu órfão. Pior ainda, ao invés de somar, Bolsonaro divide: discordou das determinações científicas, agrediu autoridades médicas, trocou ministros, brigou com os governadores que insistiram em seguir os protocolos. A emergência sanitária por que passamos deixou nua a inaptidão do presidente para o cargo. No momento que mais necessitávamos, ficou claro que não dispúnhamos de um líder.

As estatísticas de outros países anunciavam a agressividade e a letalidade do vírus. Estávamos diante de uma grave emergência. Esperava-se que logo no inicio da pandemia o presidente assumisse o papel de autoridade nacional, convocasse um gabinete de crise formado por agentes de saúde publica, epidemiologistas, cientistas e estrategistas que centralizassem as decisões e ações para o máximo aproveitamento dos escassos recursos. Esperava-se a convocação humanitária da sociedade e a mobilização de todos. O inimigo era forte. Por absoluta inaptidão, Bolsonaro não fez nada disso. O governador do Estado de São Paulo criou um Centro de Convergência para definir os protocolos, atuou junto aos prefeitos, ofereceu suporte, criou e difundiu um guia de prevenção e de cuidados para evitar a transmissão, estabeleceu o lockdown parcial ou total conforme necessário. Apresentou-se como porta-voz diário da administração da crise, como um chefe que comanda. Cresceu como líder, independente de sua posição política. O governador da Bahia, idem. Estabeleceu um Plano de Ações centralizado para coordenar as medidas, definiu objetivos e metas, ampliou o acesso às informações e aos serviços públicos de saúde. Produziu seu próprio material de campanha (vídeos, spots, cards de WhatsApp, posters, etc.) e estabeleceu parcerias com a mídia. Criou e disponibilizou oficinas com ensinamentos básicos para o pessoal de saúde, etc. Outros governadores responderam como podiam, mas sempre presentes como lideres. Era o que se pedia a nível nacional, mas que Bolsonaro não fez. Pior ainda, combateu os que fizeram e dividiu. Brigou com os governadores, com a mídia, com seus próprios ministros da saúde, com a OMS e quem mais se opunha a suas teimosas atitudes.

Nunca o país se viu tão órfão de um líder. O que é grave em um momento que o Brasil passa por uma crise complexa e necessita de um dirigente firme e afinado com a sociedade. Independente da tendência ideológica e dos erros que cometeu, cada um dos nossos ex-presidentes chamou para si a responsabilidade das crises que enfrentou, assumiu a governança quando foi preciso. Mal ou bem, conforme o julgamento politico dos eleitores, cada um governou a seu modo. A qualquer um deles podem ser imputadas decisões ideológicas, má administração, permissividade ou outras deficiências, mas nenhum pode ser acusado de omissão. Bolsonaro não, age de maneira fútil como se fosse um mero garoto brigão, como se a Presidência da República fosse uma escola infantil onde ele precisa provar aos coleguinhas que é o mais valente. Seus arroubos autoritários são tolas afirmações de identidade, típicas de um jovem adolescente. Sua triste figura se impõe apenas através de afirmações de mando. Ridícula repetição do gasto bordão infantil: ‘quem manda aqui sou eu’;. Bolsonaro é inapto. Não pode ser o presidente de um país que está entre as dez maiores economias do planeta. Não sabe administrar, não tem liderança, não tem traquejo nem versatilidade para gerenciar crises. Como líder, é um horror. Que falta faz um presidente!

Fonte: Congresso em Foco

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Sobre a coluna

Debora Ghelman

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