DUALIDADE

Atribuir o fracasso pessoal ao sentimento alheio chamado inveja é mera desculpa

O filósofo e escritor Fabiano de Abreu explora o conceito da dualidade


Francasso

Francasso Foto: Divulgação

O filósofo e escritor Fabiano de Abreu explora o conceito da dualidade contida na liberdade e teoriza que existem dois tipos de pessoas no que tange a escolhas:

“Tenha a convicção de que escolher é perder, mas também ganhar. Existe uma dualidade na escolha e é preciso decidir com o pensamento nas consequências e possíveis desdobramentos. Toda a metamorfose tem o seu preço, como sempre, há a liberdade de escolher entre a ação e a inércia, então, há apenas duas posturas a assumir: a dos realizadores, que acreditam em si e no próprio potencial, por isso, arriscam; e a dos murmuradores, que têm receio de realizar e criticam as conquistas dos outros e que não estão dispostos a pagar o preço.

Para os que costumam ter grandes conquistas, os próprios feitos e os feitos dos outros parecem comuns. Para os que nada conquistam, que optam pela inércia, as realizações daqueles que conquistam parecem duvidosas, surreais e impressionantes demais para serem verdadeiras. É o abismo entre os que são capazes e os que só conseguem assistir. Os realizadores admiram os realizados, os que não realizam e não buscam a realização invejam os realizados.”

Fabiano de Abreu acredita que a nossa liberdade, então, vive da ambiguidade presente nas escolhas e que, ao fim, elas são binárias, resumindo-se em sim ou não ao movimento e à realização:

“A nossa liberdade vive dessa ambiguidade. Se não houvesse em nós essa natureza dupla, esse dualismo a duelar pela nossa atenção a todo o tempo, não poderíamos, então, escolher o que queremos ser e teríamos o nosso destino totalmente determinado. Uma borboleta nada mais é que uma lagarta com asas, que se submeteu ao processo da metamorfose para poder ganhar os céus, que renunciou o seu estado anterior para viver o novo. Realizadores são pessoas que aguentam a dor da metamorfose”. 

O filósofo questiona também o porquê de muitos, que optam por não se tornarem realizadores, criticarem aqueles que dão esse passo adiante:

“Analogamente, questiono-me porque as lagartas que não querem ou não se esforçam para virar borboleta odeiam tanto as que abraçaram a metamorfose? Será por preguiça, medo ou incapacidade? Se transformar e se submeter à metamorfose é provavelmente a melhor coisa das nossas vidas. A borboleta só voa livremente depois de passar por um processo difícil, claustrofóbico e até doloroso. Mas, para voar, a borboleta abre mão de ser lagarta. Penso que os nossos maiores erros não têm a ver com o medo da transformação, mas a paralisação que acabamos por aceitar nas nossas vidas para não sofrer o suposto dano”.

Uma das hipóteses levantadas pelo filósofo sobre o tema aponta a relação direta entre inteligência e progressão:

“Pessoas inteligentes geralmente se movem - assim dizem os estudos -, escolhem fazer alguma coisa porque nunca estão satisfeitas, querem sempre mais e mais. Isso está ligado a diversos fatores, sendo, um deles, a ansiedade. Essas pessoas estão sempre conquistando e buscando novos objetivos. Por isso, costumam não ter tempo de se preocupar com as conquistas dos outros, já que dedicam demais o seu tempo às próprias conquistas. Tem também a questão de que, quando se está satisfeito com as conquistas e com a própria vida, enxergamos tudo ao redor com olhos de felicidade e admiração. Eu vejo pessoas que menosprezam a conquista dos outros como, talvez, falta de capacidade de buscar as próprias conquistas. Assim, seguem odiando o fato de não conseguirem conquistar e acabam não chegando ao lugar desejado por simples questão de falta de tentativa”.
Como solução para aqueles que desejam se tornar realizadores, Fabiano aponta que é preciso encontrar a sua própria motivação:

“Falta motivação em alguns, que é o motivo para uma ação. A motivação é intrínseca. É necessário descobrir o seu nicho de atuação, os seus dons naturais. Na falta disso, da motivação que venha de dentro, acaba por ser necessário ter um estímulo externo, que vem do outro. E o hoje, “tempo,” é o mais importante, raro e caro recurso que podemos oferecer ao outro. Todos nós estamos num mundo de instantes, onde tudo é instantâneo. Se ficarmos o tempo todo estimulando alguém, então perdemos a motivação para a nossa própria vida, por falta de investimento afetivo e tempo".

A inveja da beleza física 

Se sentes inveja pela beleza física do outro, transforme-a em 'cobiça positiva', ou seja, cobice alcançar a beleza sem ter vontade de roubá-la e, sim, como exercício para agir em prol de uma nova meta na sua vida. Seja emagrecer, seja tonificar-se ou seja encontrar maneiras para melhorar o visual. Estamos na era da beleza em que qualquer um pode ser belo. Basta ter força de vontade para os exercícios ou trabalhar para ter dinheiro para as cirurgias modeladoras ou estéticas variadas seja em clínicas ou até no dentista. Temos métodos capilar, maquiagem, tudo, tudo para que a pessoa possa sentir-se mais bonita. Não há mulheres e homens feios, há quem se cuide mais. 

A inveja é a dor e a tristeza pelo sucesso alheio. É a baixa auto estima, é a falta do amor próprio. É a vergonha por não acreditar em si mesmo. É o desprovido do raciocínio lógico para um intelecto que organiza o que precisa para alcançar o próprio sem almejar o do outro.

Olhe para si mesmo e só olhe para os outros quando tiver a capacidade cognitiva de sugar o que o outro tem de positivo com olhos de admirador. Para que possa usar como bom exemplo para que sinta vontade de ser igual e não superior. Pois a inveja é uma cegueira cujo a cura está no trabalho consciente de uma doutrina para uma evolução pessoal.

A maioria das pessoas se consideram invejadas mas poucas assumem ser invejosas. Ser considerado invejada também pode ser uma camuflagem da inveja. Como uma maneira de não querer assumir ou uma arrogância para ter que admitir.

A inveja é direcionado ao concreto e não ao abstrato. É direcionado ao do convívio. Como uma competição daquele que possui o que almeja em meu ângulo de visão, em meu ângulo de convívio ou de região.

Uma das soluções para não sentir inveja é a meditação. Não falo em meditação no sentido de cruzar as pernas e tocar as pontas dos dedos. Digo a meditação de auto reconhecimento. Fazer um mapeamento da própria alma. Utilizar uma propriedade intelectual para si mesmo e reconhecendo as falhas e as competências. Enxergar as competências e exercer em si uma aprimoramento de competência para alcançar os objetivos e como consequência o sucesso. Agradecemos mais as nossas conquistas quando ela foi conquistada em uma linha reta. Sem ter que ser melhor que ninguém e, ao se olhar no espelho, respiramos aliviado a conclusão de nossas metas.

Como se o filme da própria vida enxergasse apenas um protagonista, mas claro, sem ser egoísta ou qualquer outra qualidade negativa que possa atrapalhar o caminho da conquista. Vivemos em um comboio social onde nossas atitudes sofrem reflexos e nossa benfeitoria, nossas qualidades positivas, nossa admiração é o que abre as portas para um caminho mais rápido e seguro.

Sempre digo que fazer o bem é exercer boas ações e atitudes podem causar decepções momentâneas, mas sempre resultam numa admiração maior que a rejeição.

 

A inveja da inteligência do outro 

Somos criados com nossos pais e a sociedade dizendo que temos que estudar para sermos inteligentes. Na realidade temos que estudar para adquirir conhecimento. Por isso a ciência descobriu que além da inteligência lógica, há múltiplas inteligência. Somos homo sapiens sapiens, não temos que invejar a inteligência do outro e sim descobrir a própria inteligência para ter competência nas nossas escolhas. Para ser mais aprimorado nelas. A busca final é da felicidade e muitos intelectuais não eram felizes, portanto, buscar a sua inteligência pode resultar na felicidade

Desejar a felicidade do outro é sinônimo de sentimento de afeto ou de capacidade intelectual de exercer sobre si mesmo uma doutrina. Ou é a credibilidade em si mesmo em reconhecer suas competências, talentos, dons, sem precisar enxergar no outro o que acredita faltar a si mesmo.

Aquele que pela inveja comete um crime, admite ter chegado ao fundo do poço e promove para a sociedade um atestado carimbado de burrice

A inveja assim como a competição faz parte da natureza humana, está em nosso cérebro primitivo, mas faz parte da inteligência humana saber controlar, já que, ela não trará benefícios e sim malefícios.

Inveja entre irmãos

A inveja entre irmãos é antiga, está ligado ao convívio e à atenção dos pais. Como uma competição de quem os pais gostarão mais ou terão mais orgulho. A doutrina para isso é reconhecer que nossos irmãos, os consanguíneos, não são escolhidos, acontece. Mas é essa ligação, que te dará o que nenhum outro te dará, amor biológico e alívio de saber que não estamos sozinhos. Não os escolhemos, mas eles existem. É quando damos amor, recebemos amor. Dar amor é bom mesmo quando não se recebe. É como praticar o bem. Pode não ser reconhecido conscientemente mas é reconhecido inconscientemente e os resultados são favoráveis.

Quando nos reconhecemos melhor do que os outros, já estamos exercendo uma comparação inconsciente ou seja, estamos no caminho da inveja. O reconhecimento de que não somos melhores que ninguém é um ato intelectual importante para sempre termos metas a alcançar e metas são locomotivas de vida. São importantes para que possamos não pensar nas tristezas e combater a depressão.

A inveja é um sentimento e não uma emoção, ou seja, é contínuo, instalado, fixo e ao reconhecer esse sentimento, aceitá-lo, é um grande passo para o crescimento pessoal e evolutivo no sentido geral da própria vida para obter o denominador comum buscado por qualquer ser humano que é a plenitude da felicidade. 

Chamo de plenitude a felicidade pois a felicidade são momentos, não dura pra sempre, mas a sua plenitude é como se ela fosse contínua e sentida com pequenas oscilações.

Fonte: Fabiano Abreu

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