Os desafios das políticas públicas voltadas à prevenção da automutilação e do suicídio foram discutidos em audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado na quinta-feira (10). O encontro, focado no Setembro Amarelo, reuniu especialistas e representantes do governo federal, sociedade civil e ONGs para discutir cuidados com crianças e adolescentes, a influência do ambiente de trabalho na saúde mental e canais de ajuda em emergências.
Requerida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da comissão, a audiência visou ampliar o debate e diminuir o estigma sobre o tema, incentivando a busca por apoio em situações de sofrimento. A campanha Setembro Amarelo foi oficializada pela Lei 15.199, estabelecendo datas nacionais para a conscientização.
Durante a sessão, a senadora apresentou dados da OMS, destacando que mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, com alto índice de tentativas entre jovens de 15 a 29 anos. Em 2021, o Ministério da Saúde registrou 15.507 mortes por suicídio no Brasil, com maior ocorrência entre homens.
Erasto Fortes, do Ministério da Educação, ressaltou a importância de abordagens intersetoriais, criando ambientes escolares seguros e inclusivos para prevenção. Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho, apontou os riscos no ambiente laboral, como desigualdades salariais e carga excessiva, especialmente para mulheres.
Alan Teixeira Lima, do Centro de Valorização da Vida (CVV), detalhou o trabalho da instituição na prevenção, com atendimento anônimo e sigiloso 24 horas. O CVV possui 2.300 voluntários e mais de 2 milhões de atendimentos anuais.
Gabriella de Andrade Boska, do Ministério da Saúde, alertou sobre o impacto das apostas esportivas online no aumento de suicídios e pontuou a alta incidência na população negra.
O presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva, falou sobre o tabu em torno da prevenção do suicídio, sublinhando a necessidade de medicamentos acessíveis no sistema público de saúde.
Participaram também outros representantes, incluindo Silvia Waiãpi e Benedito da Vozinha, enriquecendo a discussão sobre políticas de saúde mental.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)