Menopausa precisa de acompanhamento e tratamento individualizado, diz ginecologista

A ginecologista Dra. Débora Moura, especialista em Menopausa e Longevidade Saudável, explica que o aparecimento de sintomas antes dos 50 anos não significa necessariamente doença

A menopausa é uma fase natural do envelhecimento reprodutivo feminino, mas sua transição pode começar anos antes da última menstruação. Alterações do ciclo menstrual, ondas de calor, suor noturno, distúrbios do sono, mudanças de humor e sintomas geniturinários podem surgir ainda durante a perimenopausa e impactar significativamente a qualidade de vida da mulher.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a menopausa natural ocorre, na maioria das mulheres, entre os 45 e os 55 anos. O diagnóstico é clínico e retrospectivo, sendo confirmado após 12 meses consecutivos de amenorreia, desde que não exista outra causa que justifique a interrupção da função ovariana.

A ginecologista Dra. Débora Moura, especialista em Menopausa e Longevidade Saudável, explica que o aparecimento de sintomas antes dos 50 anos não significa necessariamente doença, mas merece atenção e avaliação individualizada.

"Cada mulher vivencia essa transição de forma diferente. Algumas apresentam apenas alterações menstruais discretas, enquanto outras desenvolvem sintomas intensos que comprometem o sono, a produtividade, a saúde emocional, a sexualidade e a qualidade de vida. O importante é reconhecer esses sinais precocemente e procurar acompanhamento médico."

 Quando a menopausa acontece antes do esperado

Embora a menopausa possa ocorrer naturalmente entre os 45 e os 55 anos, quando ela acontece antes dessa faixa etária merece investigação especializada.

A menopausa precoce é definida como aquela que ocorre entre 40 e 45 anos. Já a interrupção da função ovariana antes dos 40 anos caracteriza a Insuficiência Ovariana Primária (IOP), uma condição que não deve ser considerada fisiológica e que exige investigação para possíveis causas genéticas, autoimunes, iatrogênicas (como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias ovarianas) ou idiopáticas.

Nessas mulheres, o impacto vai muito além da interrupção da fertilidade. A deficiência estrogênica precoce está associada ao aumento do risco de osteoporose e fraturas, doenças cardiovasculares, síndrome geniturinária da menopausa, alterações da função sexual, prejuízo cognitivo e piora importante da qualidade de vida.

"Quando uma mulher deixa de menstruar ou apresenta sintomas sugestivos de menopausa antes dos 45 anos — principalmente antes dos 40 anos — não devemos simplesmente esperar. É fundamental investigar a causa, confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado quando indicado, reduzindo os riscos da deficiência hormonal precoce."

A avaliação inclui história clínica detalhada, exame físico, exclusão de gestação e de outras causas de amenorreia, além da solicitação de exames complementares quando necessários.

 Terapia hormonal: o tratamento mais eficaz para a menopausa

As principais diretrizes internacionais são unânimes em afirmar que a terapia hormonal da menopausa é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores, como ondas de calor e suor noturno, e para a síndrome geniturinária da menopausa.

Além do controle dos sintomas, a terapia hormonal proporciona benefícios importantes para a saúde óssea, preservando a densidade mineral óssea e reduzindo o risco de fraturas, além de melhorar a qualidade do sono, a função sexual e a qualidade de vida.

As evidências científicas demonstram que a melhor relação benefício-risco é observada quando a terapia hormonal é iniciada em mulheres com menos de 60 anos ou dentro da chamada "janela de oportunidade", correspondente aos primeiros 10 anos após a menopausa.

Nas mulheres com Insuficiência Ovariana Primária ou menopausa precoce, na ausência de contraindicações, a terapia hormonal é recomendada até aproximadamente 50 a 51 anos, idade média da menopausa natural, reduzindo os riscos decorrentes da deficiência estrogênica precoce.

Após essa idade, não existe um limite cronológico obrigatório para interromper a terapia hormonal. As recomendações atuais orientam que sua continuidade seja individualizada e possa ser mantida enquanto os benefícios clínicos superarem os riscos, respeitando as necessidades, os sintomas e as preferências de cada mulher.

Por isso, a paciente deve realizar acompanhamento médico periódico, com reavaliação clínica regular, atualização dos fatores de risco e realização dos exames preventivos e complementares indicados para sua faixa etária e condição clínica. Essa avaliação contínua permite que a terapia hormonal seja mantida de forma segura, eficaz e personalizada.

Ao contrário do que muitas mulheres ainda acreditam, as contraindicações absolutas à terapia hormonal são relativamente poucas. Entre elas estão câncer de mama ativo, sangramento uterino sem investigação, doença hepática grave ativa, tromboembolismo venoso ou arterial em atividade e outras situações específicas que devem ser avaliadas individualmente pelo médico.

"Hoje sabemos que a idade, isoladamente, não determina quando a terapia hormonal deve ser interrompida. A decisão é individualizada e baseada em reavaliações periódicas da relação benefício-risco. Quando bem indicada e acompanhada, ela pode proporcionar melhora significativa da saúde, da funcionalidade e da qualidade de vida por muitos anos", afirma a ginecologista Débora Moura.

Também é importante procurar atendimento diante de sangramento entre as menstruações, sangramento após a relação sexual, fluxo menstrual muito intenso ou qualquer sangramento após a menopausa já estar estabelecida. Embora alterações menstruais sejam frequentes durante a transição menopausal, esses sinais precisam ser investigados para excluir outras doenças ginecológicas.

Para a Dra. Débora Moura, ampliar o acesso à informação é fundamental para que as mulheres reconheçam os sintomas precocemente e busquem tratamento baseado em evidências.

"Falar sobre menopausa é falar sobre prevenção, longevidade saudável e qualidade de vida. Hoje sabemos que a mulher não precisa aceitar os sintomas como parte natural do envelhecimento. Com diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e tratamento individualizado, é possível atravessar essa fase com mais saúde, autonomia e bem-estar."