A Caminhada Outubro Rosa realizada neste sábado (17) em Teresina colocou em evidência um dado que exige atenção das autoridades de saúde no Piauí. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o estado deve registrar aproximadamente 850 novos casos de câncer de mama por ano no período de 2026 a 2028, o que corresponde a uma taxa estimada de 49,09 casos por 100 mil mulheres .
Promovida pela Fundação Maria Carvalho Santos, a mobilização teve concentração às 17h, na Ponte Estaiada, e percorreu a Avenida Raul Lopes até o Teresina Shopping. O evento reuniu mulheres em tratamento, pacientes que venceram a doença, familiares, profissionais de saúde e apoiadores da causa.
Diagnóstico precoce como prioridade
O câncer de mama segue como um dos principais desafios da saúde feminina no Brasil. Apesar dos avanços da medicina, a identificação da doença em estágios iniciais continua sendo decisiva para melhorar o prognóstico e reduzir o risco de morte. A mamografia é o principal instrumento de rastreamento, pois permite detectar alterações que ainda não provocam sintomas perceptíveis.
Conforme as recomendações atuais do Ministério da Saúde, o rastreamento populacional de rotina é indicado a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres com sintomas suspeitos devem procurar avaliação médica independentemente da idade. Sinais como nódulos, alterações na pele da mama, retração do mamilo ou saída espontânea de secreção — especialmente com sangue — precisam ser investigados.
Desigualdade no interior exige resposta
No Piauí, o enfrentamento da doença esbarra em desigualdades territoriais. Para mulheres que vivem em municípios distantes dos centros de referência, o deslocamento para consultas, exames e tratamento representa uma dificuldade adicional. Campanhas educativas são importantes, mas precisam ser acompanhadas da ampliação dos serviços de saúde, da disponibilidade de equipamentos e de profissionais especializados.
Neste ano, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí programou a oferta de 2.995 exames de mamografia por meio de uma unidade móvel destinada a municípios dos territórios Serra da Capivara e Guaribas, entre outubro e novembro . A iniciativa amplia o acesso ao rastreamento em localidades onde a população enfrenta maiores obstáculos para chegar aos serviços especializados. No entanto, o diagnóstico é apenas uma das etapas do cuidado: a confirmação de alterações suspeitas, a realização de biópsias e o início oportuno do tratamento são igualmente fundamentais.
Solidariedade e cobrança por direitos
A Fundação Maria Carvalho Santos possui uma trajetória consolidada no acolhimento de mulheres com câncer de mama, na educação em saúde e na defesa do acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Ao longo dos anos, a instituição transformou a Caminhada Outubro Rosa em uma das principais mobilizações de conscientização sobre a doença em Teresina.
O movimento também dá visibilidade às experiências de mulheres que enfrentam cirurgias, quimioterapia, radioterapia e outras etapas do tratamento, além de reconhecer a importância das famílias e das redes de apoio. O enfrentamento do câncer de mama não deve ser compreendido como responsabilidade individual: depende de políticas públicas, financiamento adequado, profissionais capacitados e uma rede de atendimento capaz de acolher as pacientes em todas as etapas.
A principal mensagem da campanha é que a atenção à saúde das mamas não pode ficar restrita a um único mês do ano. Para as mulheres piauienses, isso significa ter acesso permanente a informações confiáveis, consultas, exames, diagnóstico e tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mais do que vestir rosa, enfrentar o câncer de mama exige garantir que nenhuma mulher fique sem diagnóstico ou tratamento por falta de acesso aos serviços de saúde.