Bolsonarista gostam realmente de mostrar que mentem sem o menor constrangimento. A nova febre que tomou conta das redes sociais entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem gosto de mentira e cheiro de irresponsabilidade. Em vídeo que viralizou neste domingo (10/5), um homem aparece, supostamente, bebendo detergente Ypê dentro de um carro e depois faz um gesto obsceno direcionado a “petistas”. No entanto, uma análise aprofundada e os mais básicos conhecimentos da química e da medicina comprovam: o homem mentiu. Ele não ingeriu detergente.
Se tivesse ingerido detergente, como fez crer, a saúde do bolsonarista estaria em sérios apuros, ou ele poderia até ter morrido. A encenação faz parte de uma onda de publicações irresponsáveis em apoio à marca Ypê, que teve lotes suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por risco de contaminação.
A encenação da falsa bravura
O vídeo, que rapidamente repercutiu em páginas alinhadas ao bolsonarismo, foi gravado após a decisão da Anvisa de determinar o recolhimento e a suspensão de lotes de produtos da Ypê. O ato sanitário, técnico e baseado em riscos reais à saúde, foi transformado por apoiadores do ex-presidente em um novo capitulo da “guerra política”.
Apoiadores passaram a publicar vídeos esfregando o produto no corpo e, no caso mais extremo, simulando a ingestão. Contudo, a verdade é uma só: eles beberam qualquer outra coisa, menos o detergente. A atitude é classificada por especialistas como “lacração” pura, um ato desesperado por engajamento que coloca vidas em risco ao incentivar a imitação por parte de jovens ou pessoas com problemas psicológicos.
O que acontece se você beber detergente de verdade?
Diferente do que aconteceu no vídeo (onde o homem passa bem), a ingestão real de detergente é uma emergência médica gravíssima. De acordo com dados científicos e manuais de toxicologia, os detergentes contêm substâncias cáusticas e surfactantes que destroem tecidos vivos.
Abaixo, os efeitos reais de quem comete esse ato de insanidade:
· Danos imediatos e graves: Ao contrário do “influenciador”, que saiu ileso, uma pessoa real sofreria queimaduras químicas internas desde os lábios até o estômago. A substância desestrutura as membranas celulares, podendo levar à necrose (morte) dos tecidos e falência de órgãos.
· Risco de morte por afogamento: Este é o maior perigo. Se a pessoa vomitar ou engasgar (reação natural do corpo), a espuma do detergente pode entrar nos pulmões. Isso causa pneumonite química (inflamação pulmonar grave), edema pulmonar e parada respiratória.
Sintomas listados pela medicina:
· Imediato (Minutos): Queimação intensa na boca, garganta e língua, salivação excessiva (babar), tosse, náuseas e vômitos.
· Curto Prazo (Horas): Dores abdominais agudas, diarreia com sangue, vômitos persistentes e dificuldade para respirar.
· Tardios (Dias/Semanas): Mesmo que a pessoa sobreviva, podem surgir perfurações no esôfago ou estômago, exigindo cirurgias de emergência, ou estenoses (estreitamento do esôfago) que impedem a passagem de alimentos para o resto da vida.
O risco de bactéria
Enquanto os bolsonaristas se engajam em teatros virtuais, a Anvisa e os Procons de todo o país correm contra o tempo para tirar das prateleiras produtos que oferecem risco real. Em 5 de maio de 2026, a agência publicou a Resolução-RE nº 1.834, determinando o recolhimento de lotes com numeração final “1” de produtos das marcas Ypê, Tixan, Bak Ypê e Atol .
Inspeções realizadas na fábrica da Química Amparo (responsável pela Ypê) identificaram falhas graves nos sistemas de garantia da qualidade. O risco apontado é a contaminação microbiológica — a presença de bactérias nocivas que não deveriam estar ali .
“A Anvisa não tem lado partidário. O único lado que a Anvisa tem é o lado dos brasileiros”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, neste domingo (11/5), criticando a politização do episódio. “Não vá beber e fazer gracinha em vídeo irresponsável”, alertou o ministro, que já afirmou que a Anvisa avalia medidas jurídicas contra os autores das gravações .
A verdade inconveniente
A hipótese levantada pela direita de que a suspensão seria uma “perseguição” por causa de doações de acionistas da Ypê à campanha de Bolsonaro em 2022 encontra um obstáculo cruel: a realidade. Os vídeos de homens “bebendo” detergente são uma farsa.
A Química Amparo, fabricante da marca, confirmou o recall e os riscos. A própria empresa, em notas anteriores, já havia reconhecido problemas de qualidade . O “protesto” dos bolsonaristas, portanto, não passa de um ato de fake news pura. Eles bebem um “detergente fake” para lacrar na internet, mas, se tivessem ingerido a quantidade de produto químico que simularam, hoje estariam internados em UTIs, entubados, ou no IML.