Vorcaro insiste em blindar Flávio e Ciro e proposta de delação pode ser rejeitada pela PF

Daniel Vorcaro inclui figuras políticas como Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira na nova proposta de delação, mas tem sinalizado blindagem ao grupo político na esperança de se livrar da cadeia e das acusações em um governo da ultradireita com o Centrão

Antes mesmo do prazo final, que termina nesta sexta-feira (12), a nova proposta para um acordo de delação premiada negociada por advogados de Daniel Vorcaro, do Banco Master, já causa irritação em investigadores da Polícia Federal (PF) e deve ser rejeitada pela insistência do banqueiro em proteger o grupo político aliado, comandado por figuras como o “irmão” Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o “amigo da vida” Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do ex-governo Jair Bolsonaro (PL).

Agentes da PF, segundo a Fórum apurou, estariam em uma queda de braço com advogados do banqueiro, comandados pelo criminalista mineiro Sérgio Leonardo, homem de confiança de Vorcaro.

Embora tenha incluído nomes como de Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira na nova proposta, Vorcaro já indica que pretende blindar o grupo político, que conta ainda com vários ex-ministros da era Jair Bolsonaro, além de figuras ligadas ao Centrão, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O ponto mais sensível da nova proposta é a tentativa de proteger o senador Flávio Bolsonaro e o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro produzida pelo deputado Mario Frias (PL-SP) e por Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Vorcaro decidiu incluir o tema na delação após a revelação de um áudio em que Flávio Bolsonaro o cobra por parte dos US$ 24 milhões prometidos para o projeto, dos quais US$ 10 milhões teriam sido transferidos ao fundo Havengate. A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão do banqueiro, em novembro.

A estratégia de Vorcaro é descrever o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio como uma negociação “republicana”, sem contrapartidas e de natureza privada.

A PF, no entanto, avalia que essa versão contraria fatos e provas já obtidas nas investigações. Os investigadores apuram dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, citando os casos do governador Cláudio Castro (PL-RJ) e do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF), além de um esquema de fraudes em empréstimos consignados operado via Credcesta. Esse conjunto de apurações, segundo a PF, contradiz a narrativa de que a relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro seria estritamente privada e isenta de irregularidades.

Sem fatos novos

Um encontro que havia sido agendado para a quarta-feira (10) com advogados foi cancelado porque os investigadores pediram mais tempo para analisar os novos anexos, que até o momento não apresentam fatos novos ou indícios contundentes para direcionar novas apurações.

A PF apreendeu mais de oito aparelhos do banqueiro e a perícia inicial já revelou que o esquema vai além de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.

Enquanto isso, os advogados se reúnem diariamente com Vorcaro, com aval de André Mendonça, que permitiu encontros das 9h às 17h até a sexta-feira, quando se encerra o prazo para apresentação da nova versão final da proposta, que será avalizada por Mendonça, após aval da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Caso a proposta seja rejeitada, Vorcaro deve ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda. A medida seria uma forma de aumentar a pressão sobre o banqueiro, que busca auxílio do grupo político e tem esperanças na eleição de Flávio Bolsonaro para se livrar da prisão.