O clima de tensão tomou conta da Câmara Municipal de São Paulo após o vereador bolsonarista Lucas Pavanato (PL) utilizar termos ofensivos para se referir a professores e profissionais da educação que participavam de uma greve contra a proposta de reajuste salarial apresentada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes.
Durante a defesa do projeto enviado pelo Executivo municipal, o parlamentar chamou os manifestantes de “vagabundos” e “burros”, gerando indignação entre servidores, vereadores da oposição e pessoas que acompanhavam a sessão nas galerias da Câmara.
“Quem faz greve não trabalha, é vagabundo. E se a carapuça serviu, o problema é de vocês”, declarou o vereador durante o debate.
Após a fala, houve reação imediata de parlamentares oposicionistas, entre eles a vereadora Silvia Ferraro, que criticou o posicionamento do colega.
Manifestantes presentes no plenário também responderam com gritos e palavras de protesto, incluindo frases como “você nunca trabalhou na vida”. Diante do tumulto e da repercussão da declaração, a sessão foi suspensa.
As bancadas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do PSOL criticaram o índice de reajuste proposto pela Prefeitura de São Paulo, alegando que o percentual está abaixo da inflação acumulada e representa perdas salariais para os servidores da educação.
O Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) também afirmou que a proposta prejudica a carreira dos docentes e confirmou a continuidade da greve da categoria.
A revolta dos servidores aumentou após comparações entre o reajuste oferecido aos funcionários municipais e o aumento aprovado anteriormente pelos próprios vereadores.
Pela proposta em discussão, os servidores terão reajuste de 3,51%, parcelado até 2027. Já os vereadores aprovaram, em 2024, um aumento de 37% nos próprios salários, elevando os vencimentos para mais de R$ 26 mil a partir de 2025.