O senador Ciro Nogueira (PP-PI) surpreendeu ao fazer elogios públicos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um discurso em São João do Piauí. Ex-ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar afirmou admirar Lula pela atuação no combate à fome no Brasil.
Durante a fala, Ciro ressaltou que reconhece o legado do presidente petista nessa área. "Tenho uma admiração enorme pelo presidente Lula, que foi uma pessoa que enfrentou a questão da fome no nosso país", declarou o senador.
Mudança no tom
A declaração ocorre em meio a um período de redução das críticas públicas de Ciro Nogueira ao governo federal. Presidente nacional do Progressistas (PP), o senador passou boa parte de 2025 fazendo oposição ao Planalto, mas diminuiu o tom das manifestações nos últimos meses.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, essa mudança estaria relacionada a um acordo informal de não agressão entre o parlamentar e o presidente Lula.
Investigação
O senador também é alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da quinta fase da operação que apura supostas irregularidades envolvendo o banco Master.
De acordo com a investigação, há suspeitas de que Ciro Nogueira tenha recebido vantagens indevidas em troca de eventual atuação política favorável aos interesses da instituição financeira. A apuração envolve possíveis crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
A defesa do senador nega qualquer irregularidade e afirma que ele nunca praticou atos ilícitos ou favoreceu interesses privados no exercício do mandato.
Relação com Flávio Bolsonaro
Nos últimos meses, Ciro Nogueira também se distanciou politicamente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois chegaram a ser apontados como possíveis aliados em uma futura chapa presidencial, mas divergências relacionadas às investigações envolvendo o caso Master acabaram esfriando a relação.
Ao comentar as apurações, Ciro afirmou que todos os envolvidos devem ser investigados e que eventuais responsabilidades precisam ser definidas pela Justiça.
"Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente", declarou o senador.