A três meses das eleições de outubro, os bastidores da política piauiense já não guardam mais segredos. As articulações de líderes partidários e as pesquisas mais recentes apontam um cenário de fortalecimento do PT e da base do governo Rafael Fonteles, com a oposição enfrentando dificuldades para reagir.
De acordo com levantamento do portal Piauí Hoje junto a diferentes lideranças partidárias no estado, é dado como certo que o PT elegerá quatro deputados federais e 15 deputados estaduais, um desempenho que consolidaria a legenda como a maior força da Assembleia Legislativa e uma das principais bancadas do Nordeste na Câmara Federal.
Primeiro turno encaminhado para Rafael Fonteles
Os números disponíveis até o momento corroboram o otimismo governista. Pesquisa da AtlasIntel realizada entre 13 e 18 de maio de 2026, com 1.240 entrevistados e margem de erro de 3 pontos percentuais, mostra o governador Rafael Fonteles (PT) com impressionantes 63,4% das intenções de voto para o executivo estadual.
O vice-presidente estadual do PT, Maurício Solano, diz que o cenário atual indica vitória de Rafael Fonteles no primeiro turno, consolidando a hegemonia petista no estado. O ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (PP), aparece em segundo lugar com 24,7%, seguido por Mainha (Podemos) com 1,8%. Os demais pré-candidatos – incluindo Toni Rodrigues (PL), Elizeu Aguiar (Novo) e Francisco Jurity (DC) não alcançam 1% das intenções de voto naquela pesquisa.
Disputa ao Senado
A corrida pelas duas vagas ao Senado, no entanto, reserva a maior reviravolta. Ao contrário das apostas iniciais que projetavam um confronto direto entre Marcelo Castro (MDB) e Ciro Nogueira (PP), os números mais recentes mostram um cenário radicalmente diferente.
Segundo a pesquisa AtlasIntel de maio/2026, Marcelo Castro lidera a disputa com 24,1% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Júlio César (PSD) com 18,1%. O senador Ciro Nogueira (PP) aparece em terceiro lugar, com apenas 11,9% .
A queda do ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro tem sido acentuada. Em março de 2026, o mesmo instituto registrava Ciro com 17,7%. A desaceleração é atribuída a dois fatores principais: seu alinhamento ao bolsonarismo e, mais recentemente, seu envolvimento no escândalo do Banco Master. No dia 7 de maio de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do parlamentar.
Segundo o cientista político Vítor Sandes, diretor do Centro de Ciências Humanas e Letras da UFPI, "Ciro se bolsonarizou ao longo dos anos, tornou-se ministro-chefe da Casa Civil e isso tem um preço. O preço é que, em 2022, Bolsonaro não foi reeleito e ele teve que arcar com esse custo político agora em 2026".
A leitura atual dos bastidores, portanto, é de que Marcelo Castro deve garantir a primeira vaga com folga, enquanto a segunda posição será disputada ponto a ponto entre Júlio César (PSD) e um Ciro Nogueira em recuperação – mas ainda distante.
Os mais cotados do PT para deputado federal
De acordo com o levantamento do Piauí Hoje, as quatro vagas do PT na Câmara Federal deverão ser ocupadas pelos seguintes nomes: Flávio Nogueira (PT), Merlong Solano (PT), Dr. Francisco Costa (PT). A quarta vaga petista esteria numa disputa acirrada entre o deputado Florentino Neto e o ex-deputado estadual José Santana.
As outras seis cadeiras do Piauí na Câmara dos Deputados para o mandato a partir de 2027 seriam ocupadas pelos seguintes deputados: Castro Neto (MDB), Marco Aurélio Sampaio (MDB), Georgiano Neto (PSD), Jadiel Alencar (RP), Júlio Arcoverde (PP) e Átila Lira (PP).
Cenário para a Assembleia Legislativa
Para o parlamento estadual, as apostas indicam vitórias certas dos seguintes candidatos do PT nas eleições de outubro: Vinicius Dias, Francisco Limma, Janaína Marques, Fábio Novo, Gil Carlos, Dr. Vinicius Nascimento, Rubens Vieira, Dr. Talles Coelho, Hélio Isaías, Hélio Rodrigues, Flávio Nogueira Júnior, Fábio Xavier, Firmino Paulo, Marcos Kalume.
Além desses, a federação PT, PCdoB e PV deve eleger ainda as deputadas Elisângela Moura e Teresa Brito.
Prejudicados
Se há um nome que resume os "mais cotados para o azar" nestas eleições, esse nome é Ciro Nogueira (PP). Antes tratado como favorito à reeleição, o senador viu sua popularidade ruir diante das investigações da Polícia Federal. Pesquisas internas indicam que sua rejeição disparou entre o eleitorado de Teresina e das cidades médias, justamente onde precisava consolidar votos.
Outro grupo que respira aliviado – ou apreensivo – é o dos pequenos partidos de oposição (PL, Novo, DC). Com exceção de Joel Rodrigues (PP), que ao menos figura em segundo lugar na corrida ao governo, os demais nomes não alcançam 1% nas pesquisas, praticamente inviabilizando qualquer projeção de crescimento.