A avaliação da popularidade do presidente Lula segue em disputa entre diferentes leituras de pesquisa. Em entrevista à BBC News Brasil, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, afirmou que os índices de aprovação do governo variam atualmente entre 50% e 52%, com base em levantamentos internos. Ao comentar números de rejeição divulgados por outros institutos, o ministro relativizou os dados. “Isso depende do parâmetro utilizado”, disse, ao citar pesquisas encomendadas pelo governo junto ao Vox Populi, que indicariam um cenário mais favorável.
Dias reconheceu que houve um momento de desgaste na imagem do presidente, mas atribuiu a queda a um episódio específico: a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, que deixou 121 mortos. “O presidente teve a coragem de reagir em relação à forma como aconteceu”, afirmou. “Mas, em seguida, tivemos uma recuperação.”
Quando questionado sobre pesquisas como a do Datafolha, que apontam maior desaprovação, o ministro argumentou que a popularidade de Lula se mantém sólida em outros recortes. “Quando a gente pega individualmente, ele é o mais popular dos líderes”, disse. Ele também destacou que, em simulações de primeiro turno, o presidente aparece à frente do principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). “É bom lembrar que vencemos as eleições em 2022 com 1,8%”, completou.
Um dos fatores que mais pesam na percepção do governo, segundo Dias, é o cenário econômico, especialmente o endividamento das famílias. “Um dos problemas reais são os juros altos e o endividamento da população.” A taxa básica de juros, a Selic, está em 14,25% ao ano. O ministro criticou o patamar e classificou a política monetária como equivocada. Ele lembrou que o governo lançou o o programa Desenrola em 2023 e prepara uma nova iniciativa para renegociação de dívidas.
Sobre o eleitorado evangélico, onde a desaprovação ao governo é mais elevada, Wellington Dias afirmou que parte desse distanciamento foi provocado por desinformação. “Infelizmente, muita gente terminou se afastando do nosso campo político levado por mentiras como a de que o presidente Lula iria fechar igrejas”, disse. Segundo ele, “todas as denominações tiveram crescimento neste período”.
O ministro também comentou investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e afirmou que o tema não preocupa a campanha. “Em primeiro lugar, porque o Fábio nega qualquer participação. Em segundo lugar: que presidente tem coragem de dizer o que disse o presidente do Brasil? ‘Seja meu filho ou o filho de quem quer que seja, do mais rico ou do mais pobre, a lei é a lei’”, declarou.
Ao tratar das críticas relacionadas à idade do presidente, que poderia concluir um novo mandato aos 85 anos, Dias buscou rebater a ideia de falta de renovação política. “Minha mãe, Terezinha Dias, tem 84 anos e corre atrás de cabra no sertão do Nordeste, cheia de energia. Eu vejo o presidente Lula muito parecido com ela”, afirmou.
Por fim, o ministro criticou declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre o uso de terras raras brasileiras por outros países. “O Brasil não quer ser submetido a ninguém, nem à China, nem aos Estados Unidos. Nós queremos ser dono do nosso nariz”, concluiu.