"Mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável", diz Lula

Presidente falou sobre o assunto em entrevista à Band e afirmou que santa continuará como padroeira do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, neste domingo (27), a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao programa Canal Livre, da BandNews TV, Lula afirmou que considera inaceitável qualquer tentativa de mexer no título religioso atribuído à santa e defendeu respeito entre diferentes religiões.

“Mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável”, declarou Lula durante a entrevista. O presidente também mencionou o episódio conhecido como “chute na santa”, ocorrido em 1995, quando um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa de televisão.

Durante a entrevista, uma das jornalistas questionou Lula sobre a informação ter sido classificada como fake news. O presidente respondeu que não sabia se a informação era falsa, mas afirmou que o assunto havia ganhado grande repercussão nas redes sociais.

“O dado concreto é que isso está na rede social muito forte”, afirmou.

Lula também defendeu o respeito às diferentes manifestações religiosas e citou católicos, evangélicos e religiões de matriz africana.

“Ela vai ser a padroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé. Eu só quero que todas as religiões respeitem as demais religiões. Eu respeito a religião evangélica, quero que ele respeite a religião católica. Quero que respeite a religião de matriz africana. Cada um professa sua fé como quiser, sem magoar os outros”, completou.

Entenda a polêmica

A discussão ganhou força nas redes sociais depois que publicações passaram a associar Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O candidato, no entanto, negou a existência de qualquer projeto atual com esse objetivo. Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que a informação era falsa e disse que “não existe esse projeto”.

A proposta que deu origem à associação é, na realidade, antiga. O Projeto de Lei 2.623/2007 foi apresentado pelo então deputado federal Victório Galli e previa alteração na legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro. A proposta foi arquivada pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008.

O episódio também chegou à Justiça Eleitoral. Em decisão de 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que plataformas retirassem publicações que atribuíssem a Flávio Bolsonaro ou à família Bolsonaro uma proposta, articulação ou intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil.

A GloboNews também corrigiu a informação que havia contribuído para a repercussão do caso e informou que o projeto citado era de 2007 e não tinha relação com Flávio Bolsonaro.