Avitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25), provocou manifestações de líderes políticos de diferentes partes do mundo. Após a confirmação do resultado, presidentes e chefes de governo parabenizaram o brasileiro e destacaram a democracia, a cooperação internacional e a continuidade das relações diplomáticas com o Brasil.
Entre os líderes que se manifestaram estão a presidente do México, Claudia Sheinbaum; o presidente da França, Emmanuel Macron; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
Até a manhã desta segunda-feira (26), os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, ainda não haviam publicado mensagens de congratulação, segundo os levantamentos divulgados pela imprensa.
Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, de acordo com os resultados divulgados após a apuração. Com a vitória, o petista garantiu um quarto mandato presidencial, o terceiro consecutivo em termos de eleições vencidas, mas não de exercício do cargo, já que seus dois primeiros mandatos ocorreram entre 2003 e 2010.
Europa destaca parceria com o Brasil
O presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou Lula e afirmou que os dois países ainda têm muito a construir em conjunto. O francês defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e França e ressaltou a importância da cooperação diante dos desafios internacionais.
Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, celebrou o resultado e associou a vitória do brasileiro ao cenário político internacional. Em sua manifestação, afirmou que a retomada do progressismo global estaria apenas começando.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também felicitou Lula. Ela destacou a democracia e o multilateralismo e defendeu a continuidade da parceria entre a Europa e o Brasil, especialmente nas áreas de comércio e proteção climática.
México e Índia também parabenizam Lula
Na América Latina, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, celebrou o resultado das eleições brasileiras e afirmou que a vitória representava uma conquista do povo.
“Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil. Parabéns, presidente Lula!”, escreveu.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também enviou uma mensagem ao presidente brasileiro. Ele destacou a intenção de aprofundar a parceria estratégica entre os dois países e ampliar a cooperação em diferentes setores, além de defender iniciativas conjuntas em favor do chamado Sul Global.
A manifestação tem relevância para a agenda diplomática brasileira, uma vez que Brasil e Índia integram o Brics, grupo de cooperação entre economias emergentes que também reúne China, Rússia e outros países.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, por sua vez, defendeu o fortalecimento das relações comerciais com o Brasil e destacou oportunidades de cooperação econômica, proteção ambiental e desenvolvimento.
Líderes latino-americanos defendem cooperação regional
Governantes de países vizinhos também reconheceram a vitória de Lula e defenderam a continuidade do diálogo com o Brasil.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, informou que conversou por telefone com Lula para parabenizá-lo. Na mensagem, destacou interesses comuns relacionados à integração econômica e ao combate ao crime organizado.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, ressaltou a agenda compartilhada entre os dois países nas áreas de integração e desenvolvimento. Já o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, enfatizou os vínculos históricos entre as duas nações e a importância de ampliar as oportunidades de cooperação.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, também cumprimentou Lula e destacou os desafios comuns enfrentados pelos países da região. No Uruguai, Yamandú Orsi informou ter conversado com o brasileiro e celebrou o processo eleitoral.
Outras manifestações partiram do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e da presidente do Peru, Keiko Fujimori. Ambos defenderam o fortalecimento das relações bilaterais. Fujimori também destacou a cooperação para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, compartilhada entre Brasil e Peru.
Em Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel classificou a vitória de Lula como histórica e manifestou apoio à continuidade da cooperação entre os dois países.
China e África do Sul também se manifestam
O governo chinês também parabenizou Lula. Por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, Pequim afirmou ter tomado conhecimento do resultado anunciado pela Justiça Eleitoral brasileira e manifestou felicitações ao presidente eleito.
A China também sinalizou interesse em dar continuidade ao desenvolvimento das relações entre os dois países.
Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa destacou a importância do resultado para o Sul Global e para as forças progressistas internacionais. Ele reafirmou o compromisso de fortalecer as relações bilaterais com o Brasil e a atuação conjunta em fóruns multilaterais.
Trump e Milei ficam em silêncio
Enquanto diferentes governos divulgaram mensagens de congratulação, Donald Trump e Javier Milei ainda não haviam se manifestado publicamente sobre a vitória de Lula até a manhã desta segunda-feira (26), conforme as informações publicadas pela imprensa.
O silêncio chama atenção pelo peso político e econômico dos dois países nas relações internacionais brasileiras. Milei havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral, enquanto Trump acompanhou a disputa brasileira sem anunciar apoio público a um dos candidatos.
A ausência de manifestações, até aquele momento, não significa necessariamente que os governos tenham rejeitado o resultado eleitoral. A situação, porém, contrastava com as mensagens de líderes que parabenizaram Lula e indicaram interesse em manter ou ampliar a cooperação com o Brasil.
A repercussão internacional ocorre no início de um novo mandato presidencial e sinaliza os desafios diplomáticos que Lula terá pela frente, incluindo a relação com potências econômicas, a integração latino-americana, o comércio internacional e as negociações ambientais.