A duas semanas do segundo turno, as principais lideranças políticas do Piauí intensificaram a articulação para garantir que o estado mantenha sua posição de maior reduto proporcional do presidente Lula (PT) no país. Em reunião realizada na noite da sexta-feira (9), em Teresina, o governador Rafael Fonteles (PT) reuniu senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias dos 224 municípios piauienses para alinhar as estratégias de campanha.
O tom predominante foi de confiança. Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, a virada é não apenas possível, mas provável. “Eu acho que sim, nós temos uma condição muito grande de pegar mais voto. Agora é só um voto, então gente que errou, que saiu em branco, que saiu nulo, que se absteve, tem a chance de corrigir”, afirmou o ministro.
A força que vem do povo
Wellington Dias destacou que a mobilização não se restringe ao Piauí. “Essa força que está vindo do povo, é da juventude, é do setor de saúde social, é do rural, ou seja, a academia, todos hoje, os artistas, todo mundo, o pessoal das próprias igrejas compreendem o risco que corre o Brasil de ter retrocesso”, declarou. “Então eu acho que nesse desejo de querer o melhor é que a gente vai mobilizar e vai virar o jogo sim, e ganhar as eleições com Lula presidente.”
O ministro também fez questão de destacar o papel da juventude, especialmente nas redes sociais. “Isso representa primeiro uma coisa importante, que é a causa que nasceu tanto na França como no Brasil, exatamente uma reação ao descaso, aos cortes, ou seja, acabar com os programas que foram conquistas da população”, afirmou. “É meu futuro que estão cortando, estão tirando da universidade. É meu futuro que está em jogo, e aí a reação. É isso que está acontecendo com o Brasil e ela vai se multiplicar em cada canto.”
Números que sustentam o otimismo
No primeiro turno, Lula obteve no Piauí 1.523.710 votos, o equivalente a 70,99% dos votos válidos, contra 517.028 votos (24,09%) de Flávio Bolsonaro (PL) — uma diferença de mais de 1 milhão de votos. O desempenho, embora ligeiramente inferior ao de 2022 (74,25%), manteve o Piauí como o estado onde Lula teve a maior vantagem proporcional do país, sendo o único a vencer em todos os 224 municípios .
A vantagem do petista no estado foi a segunda maior em números absolutos, atrás apenas da Bahia, superando inclusive Pernambuco, Ceará e Maranhão.
Estratégia: 224 carreatas e combate à abstenção
Durante o encontro, o governador Rafael Fonteles apresentou um plano de ação com foco na mobilização municipal. A principal meta é a realização de 224 carreatas — uma em cada município do estado — para levar a mensagem da campanha às ruas e incentivar os eleitores a comparecer às urnas no dia 25.
“Agora é a campanha da consciência política de cada um, momento de fazer o que está ao seu alcance para melhorarmos novamente a votação de Lula no segundo turno”, afirmou Fonteles. “As lideranças municipais e os prefeitos são fundamentais para que possamos levar essa mensagem ao eleitor.”
A redução da abstenção é uma das prioridades da campanha. No primeiro turno, 463.678 eleitores piauienses deixaram de votar, um índice de 17,15% — o terceiro menor do país, abaixo da média nacional de 21,08% . A avaliação das lideranças é de que cada voto recuperado representa um reforço significativo para a votação final.
O senador reeleito Marcelo Castro (MDB) também demonstrou confiança na vitória. “Com certeza. Nós vamos virar esse jogo. Vai começar do Nordeste. O Lula tem que fazer muita campanha no Sudeste, tem que ir para os debates, comparar o governo dele com o outro governo e mostrar que ele é a esperança, é a prosperidade”, afirmou.
Mobilização digital e porta a porta
O presidente estadual do PT no Piauí, Fábio Novo, reconheceu que a legenda precisa avançar no ambiente digital, mas destacou os progressos. “Nós somos muito bons de rua, mas ainda somos ruins de redes. O nosso desafio agora é dominar as redes”, admitiu.
Já o senador eleito Júlio César Lima (PSD) defendeu uma abordagem direta e comparativa. “Vamos mostrar, vamos de casa em casa, vamos virar o jogo. No dia 25 vocês vão ver a gratidão que o povo brasileiro vai ter ao Lula, o seu reconhecimento para elegê-lo presidente para o quarto mandato”, declarou.
A meta estabelecida pela base governista no Piauí é ambiciosa: alcançar 80% dos votos válidos no segundo turno . Se depender do entusiasmo demonstrado pelas lideranças reunidas em Teresina, o objetivo está ao alcance.
“Quem está aqui está comprometido. Vamos cumprir nossa missão, fazer a nossa parte porque sabemos o que Lula representou, o que representa e o que vai representar no futuro junto conosco”, concluiu o governador Rafael Fonteles.