Holocausto cigano é tema de debate para combater racismo

Evento no Senado destaca importância da memória histórica contra intolerância

A Comissão de Direitos Humanos realizou nesta terça-feira (4) uma audiência pública para discutir a memória do Holocausto Cigano e estratégias contra o anticiganismo e outras formas de intolerância étnica. O evento reuniu pesquisadores, especialistas em direitos humanos e lideranças ciganas.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), idealizadora da audiência, ressaltou que quase 500 mil ciganos foram vítimas do regime nazista. Na ocasião, debatedores defenderam a memória histórica das vítimas como ferramenta educativa e de cidadania.

A pesquisadora Aline Miklos, do povo rom, destacou que relembrar o passado é essencial para enfrentar o racismo atual. Ela ressaltou que o Mapa da Memória Romani nas Américas serve como exemplo de justiça e reparação.

Hayanne Iovanovitchi, do Paraná, argumentou que manter viva a memória do Holocausto Romani é crucial para prevenir a repetição de ideologias de ódio. Ela defendeu a participação dos ciganos na formulação de políticas públicas.

Igor Shimura, cientista social, alertou sobre o poder destrutivo do discurso de ódio e a necessidade de educação crítica para evitá-lo. Ele enfatizou que a perseguição começa com a desumanização promovida pela linguagem.

Marcos Toyansk Guimarães, da USP, observou que ciganos e judeus compartilham uma história de perseguição, embora o reconhecimento da perseguição aos ciganos tenha demorado mais. Ele pediu a preservação da memória para combater o antissemitismo e o anticiganismo atuais.

O coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss, apoiou a instituição do dia 2 de agosto como o Dia Nacional em Memória do Holocausto Cigano e a criação de um plano nacional de combate ao anticiganismo.

Ao final da audiência, membros da comunidade cigana de Trindade fizeram uma apresentação de dança em homenagem às vítimas do Holocausto Romani.