O deputado estadual Fábio Novo, presidente estadual do PT no Piauí, defendeu a adoção do voto em lista como alternativa para fortalecer os partidos políticos, valorizar projetos coletivos e reduzir os custos das campanhas eleitorais. A declaração foi dada nesta terça-feira (27), durante entrevista ao podcast Bate-Papo com Notícia, do Portal Piauí Hoje.
Questionado sobre a necessidade de rever a política de alianças do PT após o resultado das eleições para a Câmara dos Deputados, Fábio Novo afirmou que a estrutura das federações partidárias precisa ser considerada no debate. Ele lembrou que PT, PCdoB e PV integram uma federação e que as regras permitem a participação das siglas na composição das candidaturas.
Para o dirigente, o país precisa discutir mudanças mais amplas no sistema político.
“Eu acho assim, precisa ter a reforma política e precisa ter a reforma do Judiciário”, afirmou.
Entre as alternativas, Fábio Novo defendeu o voto em lista, modelo no qual o eleitor vota no partido, que apresenta uma lista de candidatos segundo regras previamente estabelecidas. A forma de ordenação dos nomes depende do sistema adotado.
“O ideal é o que eu defendo: nós deveríamos votar no partido”, declarou.
Na avaliação do deputado, a mudança poderia diminuir a centralidade das candidaturas individuais e dar mais peso às ideias e aos programas das legendas.
“Seria eleições que fortaleceriam as ideias, projetos e partidos”, disse.
Mudança enfrenta resistência
Apesar de defender a proposta, Fábio Novo ponderou que a adoção do voto em lista depende de uma decisão política nacional e de mudanças nas regras eleitorais.
Ele também citou experiências de outros países, como a Espanha, onde existem modalidades de votação em listas partidárias.
O deputado, porém, demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de aprovação da reforma no atual cenário político brasileiro.
“Agora, o Brasil tem coragem de fazer isso com um Congresso conservador que acabou de ser aprovado? Acho bem difícil”, afirmou.
A discussão sobre a reforma política também envolve o funcionamento das federações partidárias, a distribuição de vagas nas disputas proporcionais e os mecanismos de financiamento das campanhas.
Na entrevista, Fábio Novo defendeu que o debate seja retomado para avaliar mudanças que, na visão dele, fortaleçam a organização partidária e reduzam a dependência de candidaturas individuais.