Ex-sócio de Flávio Bolsonaro guarda acervo de mensagens e cobra dívida de R$ 1,4 milhão

Empresário paulista manteve amizade de quase duas décadas com o senador e passou a cobrar na Justiça valores relacionados à antiga sociedade

Alexandre Ferreira Dias Santini, empresário paulista formado em Administração de Empresas, tornou-se conhecido nacionalmente pela relação de amizade e negócios que manteve durante anos com o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Os dois foram sócios de uma loja de chocolates da Kopenhagen no Rio de Janeiro e mantiveram uma amizade próxima antes de romperem a relação.

Reportagens do Metrópoles e do PlatôBR voltaram a colocar Santini no centro do debate político nesta semana, após a divulgação de documentos, mensagens e relatos relacionados à convivência entre os dois. O material inclui informações sobre a antiga sociedade, despesas atribuídas a pessoas próximas de Flávio e episódios que o ex-sócio afirma conhecer.

Amizade com a família Bolsonaro

Santini conheceu Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, no início dos anos 2000. Segundo o Metrópoles, a relação se tornou próxima ao longo dos anos, com participação do empresário em eventos e momentos privados da família Bolsonaro. Ele também manteve contato com integrantes do grupo político ligado ao então presidente Jair Bolsonaro.

Na época, Santini também atuava no ramo de importação e exportação e tinha uma empresa em sociedade com o ex-técnico da Seleção Brasileira Carlos Alberto Parreira. Depois da mudança para Brasília, abriu ainda uma empresa de tecnologia, que permaneceu ativa por cerca de dez meses.

Sociedade em loja de chocolates

A relação entre Santini e Flávio também chegou aos negócios. Os dois foram sócios da Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen localizada no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca.

Segundo o Metrópoles, Santini afirma que investiu R$ 450 mil na abertura do negócio, enquanto Flávio teria colocado R$ 200 mil em dinheiro e Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, R$ 350 mil por meio de transferência bancária. O ex-sócio também sustenta que houve diferenças na distribuição dos lucros e que ficou com prejuízos após o encerramento da empresa.

A chocolateria foi citada nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o caso das chamadas “rachadinhas”. De acordo com o Metrópoles, os promotores investigaram a possibilidade de a empresa ter sido utilizada na movimentação de recursos relacionados ao esquema. A acusação formal apresentada em 2020 acabou sendo arquivada pela Justiça.

Cobrança de R$ 1,4 milhão

Após o rompimento da sociedade e da amizade, Santini passou a cobrar de Flávio valores que considera pendentes. Uma notificação extrajudicial citada pelo Metrópoles aponta uma cobrança de R$ 1.473.344,46. Ele também apresentou uma reclamação pré-processual na Justiça de Brasília.

Santini afirma que houve uma reunião no gabinete de Flávio no Congresso para tratar da dívida. Segundo o relato publicado pelo Metrópoles, o empresário apresentou uma planilha com os valores que considerava devidos e afirma ter ouvido do senador que ele não reconhecia a dívida.

Documentos e novas acusações

Com o rompimento, Santini passou a guardar e divulgar mensagens, áudios, fotografias e documentos produzidos durante os anos de convivência com Flávio. Parte desse material voltou a ser apresentada nesta semana pelo PlatôBR.

A reportagem cita relatos sobre festas privadas, despesas pessoais supostamente pagas por pessoas próximas ao senador, um relógio Rolex avaliado em cerca de R$ 300 mil e uma suposta intermediação de interesses junto ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O PlatôBR atribui essas informações a documentos e mensagens mantidos por Santini.

O site também relata que Santini teria usado essas informações para pressionar Flávio durante a disputa financeira. Em uma das mensagens descritas pela reportagem, o empresário menciona um assunto relacionado ao gabinete de Kassio e, posteriormente, os dois teriam marcado uma reunião. O conteúdo de eventual acordo entre eles não foi divulgado.

O que diz Flávio Bolsonaro

Em manifestação publicada pelo Metrópoles em novembro de 2023, Flávio Bolsonaro negou as acusações feitas pelo ex-sócio. O senador afirmou que não tinha dívida com Santini e classificou as acusações como “infundadas”.

Flávio também declarou que ingressou com uma ação de prestação de contas sobre a antiga sociedade para que as alegações fossem analisadas. Sobre os equipamentos de academia citados em reportagens, disse que se tratava de um empréstimo pessoal que estava sendo restituído.

A disputa entre os dois, que começou com o fim da sociedade na loja de chocolates, passou a envolver documentos, acusações e versões conflitantes sobre a relação mantida durante quase duas décadas.